O democrata Joseph Robinette Biden Jr. é o 46.º Presidente dos EUA, fazendo com que o republicano Donald J. Trump fique para a história como um presidente de um único mandato após quatro anos pouco convencionais na Casa Branca. Trump é o terceiro presidente eleito desde a Segunda Guerra Mundial a perder a reeleição e o primeiro em mais de um quarto de século.

O novo Presidente foi eleito no sábado, dia 7 de novembro, prometendo restaurar a normalidade política e um espírito de unidade nacional para enfrentar as violentas crises económicas e de saúde. Numa declaração ao país, reforçou a necessidade de a América fazer as pazes consigo própria e de os adversários deixarem de ser tratados como inimigos após, como ele mesmo descreveu, uma “era sombria” na América.
Segundo o New York Times, Joe Biden “teve uma presença sóbria e convencional em campanha, preocupado com a “alma do país”. Julgou corretamente o caráter dos EUA e beneficiou dos erros do presidente Trump.” O resultado também proporcionou um momento histórico para a sua companheira de luta, a senadora Kamala Harris, da Califórnia, que se tornará a primeira mulher a servir como vice-presidente. E mais: Harris é a primeira mulher negra e a primeira mulher filha de migrantes a tornar-se vice dos EUA.
Biden, que faz 78 anos no final deste mês, realizou a sua ambição de décadas nesta sua terceira candidatura à Casa Branca, tornando-se a pessoa mais velha eleita Presidente. Ofereceu uma agenda democrata dominante, mas foi menos a sua postura política do que a sua biografia que atraiu os eleitores.
A vitória de Biden, 48 anos depois de ter sido eleito para o Senado dos Estados Unidos, gerou comemorações em várias cidades de tendência democrata. Em Washington, as pessoas saíram para as ruas perto da Casa Branca, aplaudiram enquanto se ouviam as buzinas de carros com bandeiras americanas.
A campanha, que terminou depois de quatro dias tensos de contagem de votos, “foi um referendo singular sobre Trump”, escreve o New York Times. “Do início ao fim, Biden fez da personagem do Presidente o centro de sua campanha. Foi esse foco implacável que impulsionou Biden à vitória em Estados historicamente democratas.”
A reação de Trump
Na mesma hora em que os resultados davam a vitória a Joe Biden, Donald Trump ocupava o tempo a jogar Golf num dos seus campos, como reportou uma jornalista da BBC que faz parte do núcleo restrito de media que acompanha o Presidente. Num comunicado no início desse dia, Trump escrevia: “esta eleição está longe de terminar”, ameaçando ir para tribunal, mas sem dar mais detalhes.

O ex-Presidente chegou a alegar, sem mostrar qualquer prova, que tinha vencido e que estava a ser alvo de fraude e conspiração por parte dos democratas. Além disso, os seus assessores de campanha adotaram um tom de desafio quando os Estados decisivos caíram nas mãos de Biden, prometendo uma enxurrada de ações legais. Contudo, segundo as notícias mais recentes, os conselheiros da Casa Branca já alertaram Trump em relação à fraca possibilidade de ganhar uma disputa legal.
Trump perdeu as eleições, mas ainda tem 11 semanas à frente da presidência. Os analistas apontam esse período até à tomada de posse de Joe Biden, a 20 de janeiro, como um dos mais perigosos e imprevisíveis da história do país. Se Trump demorou tanto tempo a tomar decisões face à pandemia do novo coronavírus no seu país, espera-se que a vitória do seu adversário presidencial também não seja aceite de imediato.
Esta fase intermédia pode ser perigosa. “Ele irá perdoar-se a si mesmo. Espera que o Supremo Tribunal o defenda”, comenta um analista político ao The Guardian, dizendo: “Se Trump perde o poder vai passar os seus últimos 90 dias a demolir os EUA como uma criança maliciosa com uma marreta numa loja de louça.”
“Todos os sinais indicam que a administração Trump vai continuar a abordagem do “deixa andar” no que toca à COVID-19”, escreve a revista Forbes. No dia das eleições, a 3 de novembro, o The New York Times escrevia que o período entre o resultado das eleições e o dia da tomada de posse do novo presidente iria coincidir com a fase “mais escura e potencialmente mortal da pandemia.”
É que, recorde-se, Trump terminou o diálogo com os especialistas em coronavírus da Casa Branca ao mesmo tempo que dizia aos eleitores que o país estava a recuperar bem na luta contra a COVID-19. Há ainda, segundo alguns especialistas, a possibilidade de revolta civil por parte dos cidadãos que se sentem defraudados com o resultado eleitoral.
Na verdade, até agora, Trump ainda não fez a tradicional saudação a quem venceu. Não tem sido visto, mas mantém os seus posts no Twitter com conteúdos considerados inadequados pela rede social.
Veja aqui os discursos de vitória do novo Presidente e da sua vice-presidente:
