
Zoltan Istvan é um transumanista e defensor da evolução da condição humana para uma dimensão “super-humana”, através do recurso a inovações científicas e tecnológicas. Zoltan é orador convidado de organizações como o World Economic Forum, o Banco Mundial e a Universidade de Harvard, foi jornalista do National Geographic Channel e é autor dos best-sellers The Transhumanist Wager e The Futuresist Cure.
No Business Transformation Summit, que decorreu nos dias 30 e 31 de outubro, na Lx Factory, Zoltan Istvan apresentou o keynote speech “Superhuman – How converging transhumanist technologies will change everything”.
Acredita que a Raça Humana vai ser capaz de vencer a Morte ainda durante a nossa Vida?
Zoltan Istvan (ZI): Tenho a certeza de que a raça humana será capaz de vencer a morte dentro de 25-35 anos. Portanto, o objetivo de qualquer pessoa que viva nos nossos dias é permanecer viva o máximo de tempo possível para conseguir assistir a essa realidade.
Quais são as consequências morais da imortalidade?
ZI: Existe uma miríade de consequências morais associadas ao ser imortal. Algumas são boas, outras más. Se por um lado vai poder amar e ver os seus filhos para sempre; também vai deparar-se com o grave problema da superpopulação. Isto significa que a sua vida pode ficar mais aborrecida porque não vai poder morrer, mas talvez o faça feliz saber que não vai precisar de experimentar a morte, por exemplo.
Em escala, o que acontece com a espiritualidade humana? Como podemos evitar algo semelhante ao que acontece n’O retrato de Dorian Gray?
ZI: A chave para a espiritualidade na era transumanista reside em fundir os nossos cérebros com as máquinas. Quando nos conectarmos à Inteligência Artificial em tempo real teremos a possibilidade de ser centenas de vezes mais inteligentes. Se isto acontecer, podemos igualmente ter amplas oportunidades de sermos mais espirituais do que nunca. Acredito que a nossa espiritualidade poderá crescer à medida que a nossa inteligência crescer com a ajuda da Inteligência Artificial.
Acha que a diferença entre o primeiro PC (24Kb) e um smartphone dos dias de hoje (1Gb) é a mesma entre um humano e um inseto?
ZI: Eu diria que é praticamente a mesma diferença. Os computadores (Inteligência Artificial) poderão, nos próximos 30 anos, olhar para os humanos como nós olhamos hoje para os insetos.
A Inteligência Artificial aplicada ao cérebro humano dá-nos mais capacidades do que aquelas que possuímos atualmente? Isto vai permitir-nos libertar o ser humano do cérebro reptiliano?
ZI: Não acho que possamos ser facilmente libertados do nosso cérebro reptiliano. Contudo, a Inteligência Artificial vai permitir-nos “deambular” por outras partes diferentes do nosso cérebro, facilitando assim a nossa capacidade de imaginação, intuição e sentido de razão. Mas no final, acredito que vai sempre existir algum “lagarto” dentro de nós.
No futuro, acredita que as máquinas irão ensinar-nos a ser humanos?
ZI: Eu acho que assim que tivermos a oportunidade de deixar a nossa humanidade para trás, isso poderá provavelmente acontecer. Assim que conectarmos as nossas mentes à Inteligência Artificial, não creio que haja muito incentivo para permanecermos “exclusivamente humanos”, biológicos ou mesmo mamíferos. Penso que vamos ficar apenas com aquilo que for mais funcional e melhor para a nossa entidade como um todo.
