
Pedro Brito, associate dean for executive education & business transformation da Nova SBE, respondeu à revista Líder sobre os grandes temas da cimeira de liderança deste ano. Questionando-se sobre se continuaremos a caminhar juntos na revolução digital, Pedro Brito fala da importância da formação de executivos e do papel importante que a Nova SBE vai desempenhar nesse futuro.
Qual a importância de estar presente na Leadership Summit Portugal?
Pedro Brito (PB): Acreditamos que a ambição deste evento está muito alinhada com aqueles que são os nossos desígnios e aspirações. A premissa da escola é criar os líderes do amanhã e a Formação de Executivos, por sua vez, pretende expandir os horizontes dos líderes de hoje. Do mesmo modo que este evento procura envolver toda a comunidade de talento, reunindo diferentes níveis de senioridade com diferentes pontos de vista sobre o que significa ser líder, também nós procuramos impactar diferentes gerações, inspirando e desenvolvendo novas formas através das quais pessoas e organizações possam evoluir e prosperar num mundo em permanente mudança.
Num futuro volátil, onde o amanhã é uma incerteza, sabemos que, qualquer que seja o caminho, temos de o construir juntos. E acreditamos que a Nova SBE, tal como a própria Leadership Summit, é um espaço para pessoas, diálogo e oportunidades.
E como responderia à grande questão da cimeira: Are We Going Together? Como é que o trabalho das universidades pode contribuir para isso?
PB: Ainda que muitas vezes não pareça, os seres humanos são, por natureza, animais sociais. Na realidade, foi este traço evolutivo que nos separou dos antepassados primatas e nos levou a trabalhar de forma cooperativa na defesa, e consequente evolução, da espécie. Tornou-nos mais fortes, mais felizes e mais seguros.
Mas será que hoje, no mundo competitivo que habitamos, conseguimos continuar a “caminhar juntos”? Este contexto atual coloca sobre nós uma enorme pressão para fazermos escolhas. Escolhas individuais que, em última instância, podem introduzir autênticas clivagens no nosso meio social, profissional ou familiar. Um pouco por todo o lado se constata que, num mundo cada vez mais interconectado, maior é o sentimento de solidão dos indivíduos. Sozinhos, deixámos de nos sentir seguros. Como se isso não bastasse, os desafios da globalização, da tecnologia e sustentabilidade só vêm intensificar uma sensação crescente de incerteza e receio do futuro.
Acreditamos que a escola tem um papel importante na mudança deste paradigma. O nosso posicionamento foca-se em apoiar as pessoas, empresas e sociedade na mudança deste sentimento de receio individual em esperança coletiva. Temos a capacidade de dar às pessoas e às organizações as ferramentas e conhecimentos necessários para que possam enfrentar este futuro com mais confiança, de forma mais competente nas várias funções que desempenham e nas escolhas que fazem.
Com a chegada da tecnologia, o nosso mundo mudou. Em que medida é que as nossas universidades conseguem adaptar-se a um mundo todos os dias novo?
PB: A educação atravessa um momento de profunda transformação que as universidades, enquanto principal veículo de preparação dos indivíduos para o mundo do trabalho (em todas as fases da sua vida), têm obrigatoriamente de acompanhar.
É inegável que a crescente automação e transformação digital levará ao desaparecimento de muitas funções; mas surgirão também novas profissões até agora inexistentes. Este ambiente de vulnerabilidade e incerteza impacta diretamente o setor da educação, que cada vez mais é solicitado a apoiar talentos e organizações no desenvolvimento de novas e necessárias competências.
A área de formação de executivos da Nova SBE evoluiu para responder aos desafios do mercado de forma integrada: combinando programas abertos com customizados, mas também com os nossos laboratórios de inovação e tecnologia e o consulting hub, através de abordagens de aprendizagem vanguardistas, com real impacto na vida das pessoas e organizações.
E, neste mundo em constante mudança, o que é que é requerido de um estudante?
PB: Num contexto de dificuldade em encontrar os perfis necessários para fazer face aos novos desafios, as empresas apostam no reskilling e upskilling interno dos seus recursos humanos. Paralelamente, este contexto de permanente mudança exige dos indivíduos uma atitude proativa na atualização contínua de competências e conhecimentos, para que se mantenham relevantes no mercado de trabalho. Devem passar a encarar a aprendizagem como um processo contínuo ao longo da vida, numa lógica de Lifelong Learning.
A nível internacional, conhecemos casos de grandes empresas que começam a abrir as suas próprias universidades. De que forma é que a NOVA SBE consegue responder a esta realidade?
PB: Ao longo dos últimos anos, temos vindo a acompanhar o desafio de muitas organizações que passaram a estruturar as suas atividades de formação e desenvolvimento através de Academias ou Universidades Corporativas.
Estas Universidades Corporativas são hoje verdadeiros centros de resultados, uma vez que têm como missão dotar as pessoas das competências necessárias à implementação das estratégias corporativas. Para além disso, são os centros de ligação das organizações aos parceiros de inovação e de desenvolvimento externos à própria organização.
A Nova SBE posiciona-se como um desses parceiros, trabalhando em diferentes projetos e dimensões, cujo objetivo final é a geração de impacto na organização. Temos a capacidade de intervir a diferentes níveis, desde o próprio desenho do modelo da Universidade, à gestão operacional e logística da mesma, disponibilizando o nosso campus para o efeito, ou até mesmo como um parceiro permanente para a atualização constante de conhecimento, trazendo para cima da mesa as últimas tendências das nossas áreas de expertise.
Ao longo do tempo de vida deste projeto, quais são os resultados que tem visto?
PB: A escola sempre se destacou nas suas áreas core: economia e finanças, gestão e estratégia, liderança e pessoas, tecnologia e inovação. Neste contexto tornou-se na melhor escola de gestão em Portugal, a melhor classificada dentro dos rankings internacionais, nomeadamente pela agência de rating Eduniversal. Em linha com esta ambição da escola, o nosso projeto – a Formação de Executivos – reflete um trabalho contínuo para, não só melhorar os programas existentes, como também criar novos programas e novas abordagens, sempre em linha com as necessidades do mercado. Este trabalho é hoje reconhecido pelo ranking de formação de executivos do Financial Times de 2019, que nos coloca como a escola de executivos mais bem classificada a nível nacional.
Qual tem sido a resposta por parte dos executivos ao programa?
PB: Temos registado um número crescente de participantes, quer em programas abertos quer em customizados, onde existe cada vez mais presença de executivos internacionais. A nossa oferta alargada, que procura responder às diferentes necessidades das empresas, impacta diferentes níveis de senioridade, para que desta forma consigamos ter uma intervenção mais estruturante.
