Liderança para a sustentabilidade

Com um PhD em Economia e Ciências Sociais e um Mestrado em Ciências Ambientais pela Universidade de Lüneburg, na Alemanha, Tobias Hahn é, atualmente, professor honorário na Sydney Business School. Antes de ser professor na ESAD foi professor numa business school em França e project manager num instituto de investigação sem fins lucrativos, na Alemanha.

Sustentabilidade e responsabilidade social corporativas são as suas principais áreas de especialidade. A sua pesquisa centra-se, primordialmente, nas tensões e paradoxos presentes na sustentabilidade corporativa e responsabilidade social corporativa, na avaliação de desempenho de sustentabilidade, nas estratégias de sustentabilidade corporativa e nos comportamentos de stakeholders.

Com trabalho publicado em diferentes jornais – tais como Academy of Management Review, Organization Studies, Ecological Economics, International Journal of Production Economics, Journal of Business Ethics, Business & Society, Organization & Environment e Business Strategy and the Environment –, Tobias Hahn é, também, editor senior na publicação Organization & Environment.

Atualmente, Tobias é, ainda, presidente do Grupo de Investigação sobre Organizações e o Meio Ambiente (Group for Research on Organizations and the Natural Environment – GRONEN).

Qual é a sua definição de sustentabilidade?

Tobias Hahn (TH): A sustentabilidade é um objetivo desejável para as sociedades humanas, através do qual é possível proporcionar condições de vida decentes e coesão social, assim como oportunidades de desenvolvimento para todos, hoje e amanhã, respeitando os limites dos ecossistemas da Terra e o valor inerente de outras espécies. Obviamente, a sustentabilidade é um objetivo normativo e ambicioso. Serve como um ideal para o qual todos os atores sociais devem orientar-se e comprometer-se. Isto também se aplica à empresas. Em contraste com várias definições populares de uma perspetiva de negócios, a sustentabilidade não é sobre a longevidade de organizações individuais. A sustentabilidade dos negócios tem a ver com as contribuições que as empresas privadas podem fazer para alcançar a sustentabilidade ao nível social.
Embora a sustentabilidade possa estar alinhada com a sobrevivência e o crescimento a longo prazo de várias empresas, muitas vezes não é compatível com a maximização do lucro a curto prazo. Muitos modelos de negócios atuais são intrinsecamente não-sustentáveis. Por isso, muitas empresas precisam de inovar e mudar – ou desaparecer.

O que significa ou como é possível liderar de forma sustentável?

TH: Liderança para a sustentabilidade significa pelo menos três coisas. Primeiro, significa adotar uma perspetiva de longo prazo para o desenvolvimento e a estratégia de negócios. Líderes verdadeiramente sustentáveis aceitam que há tensões entre sustentabilidade e o lucro a curto prazo, estando dispostos a inovar para trabalhar perante essas tensões.
Em segundo lugar, os líderes sustentáveis lideram pelo exemplo. Estes patrocinam iniciativas e inovações sustentáveis, tanto dentro das suas organizações como no seu setor. Esses líderes estão dispostos a assumir riscos e a testar formas inovadoras de gerar e promover contribuições empresariais para a sustentabilidade. Não se sentem frustrados ou intimidados pelos imensos desafios que enfrentamos (como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade ou a desigualdade). Veem esses desafios como uma oportunidade para agir e inovar, com o objetivo de se afastarem do caminho – insustentável – e já percorrido.
Em terceiro lugar, estes líderes sustentáveis fazem parte de uma cruzada pela sustentabilidade. Dedicam-se a fazer a diferença e a desempenhar um papel ativo, na medida do papel que as empresas privadas devem assumir caso procurem mais sustentabilidade. No entanto, líderes sustentáveis não são dogmáticos, mas estão disponíveis para com outros stakeholders e com outras abordagens encontrarem soluções pragmáticas para os desafios da sustentabilidade.

O que podem as empresas fazer na prática para contribuir para a sustentabilidade?

TH: Há muitas formas das empresas contribuírem para a sustentabilidade. Um passo indispensável para todas as empresas é descarbonizar radicalmente os seus negócios. À luz das imensas e prementes mudanças que o aquecimento global impõe às sociedades e economias – e ao pouco tempo que resta para enfrentar as mudanças climáticas –, isso é imperativo para a sustentabilidade dos negócios.
Outra forma é as empresas afastarem-se do foco excessivo em resultados a curto prazo. Os desafios de sustentabilidade estão, na maioria das vezes, associados a bens comuns que não são adequadamente tratados em estratégias de negócios focadas em maximizar os resultados a curto prazo.

Para finalizar, é importante ser inclusivo. A sustentabilidade requer que as empresas e os gestores escutem e incluam muitos stakeholders: não apenas porque os stakeholders têm reivindicações legítimas, mas também porque a inclusão de stakeholders tem o potencial de gerar respostas colaborativas para a sustentabilidade que não podem ser desenvolvidas e implementadas apenas pelas empresas.

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