Aprender acerca da aprendizagem

Infelizmente, a maior parte das organizações de hoje em dia não estão a tirar proveito do que atualmente se sabe acerca da aprendizagem no local de trabalho e nos adultos em particular. Que contributos tem dado a psicologia, neurociência e pedagogia neste campo?

Não podemos pensar que o tipo de aprendizagem que um trabalhador adulto necessita deve ser o mesmo que é aplicado nas escolas/universidades (sendo que até nestas as metodologias, a meu ver, devem ser revistas). A lógica de um professor/formador e um vasto conjunto de elementos a assistir à aula simplesmente já se encontra ultrapassado.

Estudos demonstram que:

  • As relações ajudam na aprendizagem através da estimulação do sistema nervoso parassimpático, assim, grupos de estudo ajudam a aprender e a criar novas ideias, mais do que quando os trabalhadores o fazem por si mesmos e sozinhos.
  • Os cursos de formação são mais eficazes quando são adaptados para funções específicas e em situações/circunstâncias cruciais que necessitam de intervenção. O que se verifica é que se recorre a cursos de formação porque estão calendarizados pelo departamento de recursos humanos e muitas vezes estes só se remetem à sua execução porque são de caráter obrigatório (e podem ser desfasados das necessidades que a organização carece). O dito, “simples cumprir de calendário”!
  • A apresentação das informações deve ser exibida num curto espaço de tempo. Sessões muito longas levam ao desgaste e perda de concentração por parte dos colaboradores.
  • Deve recorrer-se a ferramentas que façam uso da tecnologia virtual, realidade aumentada, etc. Retirar vantagem do que a tecnologia nos tem para oferecer. Tornar mais atrativos os conteúdos e permitir flexibilização na aprendizagem podem ser alguns dos benefícios que podemos obter.
  • É necessário personalizar e saber medir as experiências aprendidas – ROI (Return Over the Investiment).
  • Os senior executive desempenham um papel fundamental na questão da aprendizagem. São eles que devem inspirar os seus colaboradores a continuarem a investir na sua empregabilidade para toda a vida – e os tempos apresentam-se complicados, o futuro é muito incerto no que a este ponto diz respeito (Revolução 4.0). É essencial comunicar-lhes como se encontra o mercado de trabalho e que competências necessitam de adquirir.

Nunca se esqueçam que no que diz respeito à aprendizagem, algo se mantém imutável: o facto das pessoas só aprenderem o que realmente desejam aprender.

Aprenda e continue a aprender porque “o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender” (Alvin Toffler).

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em recursos humanos

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