Nos últimos meses, o Facebook tem estado a avaliar os utilizadores quanto à credibilidade que têm para denunciar notícias falsas. Nesse sentido, foi criado um novo algoritmo que classifica os utilizadores numa escala de zero a um, com o objetivo de combater a desinformação e as notícias falsas, revela o The Washington Post. O sistema de classificação que foi desenvolvido no último ano pretende identificar os utilizadores que estão com más intenções e é um dos novos índices de comportamento que o Facebook utiliza para calcular o risco associado às publicações.
Até à data, a rede social liderada por Mark Zuckerberg dependia das denúncias feitas por utilizadores para identificar conteúdos problemáticos, mas acabou por verificar que o número de denúncias falsas foi crescendo. “Não é raro que as pessoas denunciem um conteúdo como falso, simplesmente porque não concordam com a premissa da história ou porque estão a tentar atacar uma certa página intencionalmente”, explicou Tessa Lyons, responsável pela luta contra a desinformação promovida pela rede social.
A responsável explicou à mesma publicação que este algoritmo é a resposta à necessidade de criar um sistema que meça a probabilidade dos conteúdos que são denunciados serem efetivamente falsos. Segundo Lyons, a classificação dos utilizadores tem por objetivo tornar o processo de verificação da informação mais eficaz, evitando que as equipas de fact checking percam tempo com denúncias falsas.
“Um dos sinais que temos em consideração é a forma como as pessoas interagem com os artigos”, clarificou Lyons. “Por exemplo, se uma pessoa denunciou anteriormente um artigo como falso e mais tarde verificou-se que era mesmo falso, as futuras denúncias feitas por esse utilizador vão ser tidas mais em conta do que as feitas por alguém que denunciou indiscriminadamente muitos artigos como falsos, incluindo alguns que acabaram por ser considerados verdadeiros”, acrescenta a responsável da empresa de Sillicon Valley.
A estratégia chega numa altura em que a rede social é acusada de permitir a proliferação de notícias falsas, muitas com origem russa, que contribuem, favoravelmente, para determinados resultados eleitorais. Por exemplo, a decisão do Reino Unido sair da União Europeia e a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. Em setembro do ano passado, a empresa admitiu a existência de uma operação em que foram gastos cerca de cem mil dólares (84 mil euros) para milhares de anúncios que divulgavam informação falsa – disfarçada de notícias – sobre temas como a imigração e os Direitos Humanos durante a campanha presidencial de 2016 nos EUA.
Entretanto, o Facebook já tentou várias estratégias para resolver este problema: na Europa, por exemplo, a rede social lançou um inquérito onde perguntava aos utilizadores quais as fontes de notícias nas quais confiam para dar prioridade aos meios de comunicação em que os utilizadores mais acreditam.
