Partindo do princípio que os novos surtos de vírus permanecem contidos e que teremos uma vacina amplamente disponível em 2021, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tem confiança numa recuperação gradual, apesar de desigual, da economia global nos próximos dois anos.
No último relatório Economic Outlook, a OCDE prevê que a economia mundial cresça 4,3% em 2021 e 3,8% em 2022, depois
de uma recessão de 4,2% em 2020. Já o PIB da zona euro deve colapsar 7,5%.
Apesar do otimismo sobre a retoma em 2021 e 2022, a OCDE não deixa de sublinhar que a zona euro vai ser mais lenta do que a economia mundial a sair da crise e que a única economia a registar crescimento em 2020 é a China.
Espera-se que “no final de 2021, o PIB global esteja em níveis anteriores à crise, ajudado pela forte recuperação na China, mas o desempenho será muito diferente entre as principais economias”, lê-se no relatório.
Prevê-se que a produção permaneça cerca de 5% abaixo das expectativas pré-crise em muitos países em 2022. “Os países e regiões com sistemas eficazes de teste, rastreio e isolamento deverão ter um desempenho relativamente bom, como têm tido desde o início da pandemia, mas continuarão a ser travados por uma procura global fraca.”
Em Portugal, a saída da crise será ainda mais lenta do que na zona euro. O crescimento da economia portuguesa será muito baixo em 2021 e 2022, abaixo de 2% ao ano. O relatório, publicado no primeiro dia de dezembro, aponta para uma contração da economia portuguesa de 8,4% em 2020, na sequência da pandemia, em vez do recuo de 9,4% que tinha projetado em junho para Portugal.
Mas em relação a 2021, a nota é de pessimismo. Afinal o PIB português não vai crescer 6,3%, em 2021 como estimava em junho, mas apenas 1,7%. Em 2022, a OCDE espera um incremento do PIB de 1,9%.
Para justificar estas projeções sobre a economia portuguesa, a OCDE sublinha o impacto no sector do turismo que tiveram as medidas restritivas impostas pelo governo perante o crescimento das novas infeções por COVID-19.
Assim, a taxa de desemprego deve continuar a subir, atingindo 7,3% este ano e 9,5% em 2021. Em 2022 será de 8,2%. Quanto à dívida pública, a OCDE estima que seja de 136,1% do PIB este ano, 139,7% em 2021 e esteja nos 138,8% do PIB em 2022.
