O primeiro estudo sobre a perceção das marcas globais feito desde o início da pandemia indica que, numa questão de meses, este vírus mudou para sempre a forma como as empresas jogam e competem entre si.
Esta crise veio forçar as empresas a dar prioridade às necessidades dos consumidores e dos colaboradores a um nível sem precedentes. A perceção que os consumidores têm de marcas como a Apple, L’Oréal, Netflix, PayPal e Walmart melhorou, enquanto que as marcas dos serviços financeiros e de telecomunicações sofrem perdas na forma como são avaliadas.
Seis anos após o primeiro Future Brand Index, o mundo mudou drasticamente e as prioridades das 100 maiores empresas do mundo também. O Índice Future Brand da empresa de consultoria PwC, que já vai na sua sexta edição, reordena as 100 principais empresas globais pela forma como são percecionadas e não pela sua força financeira.
Em conjunto com a QRi Consulting, nos últimos seis anos, os autores do top das 100 melhores marcas do mundo falaram com uma amostra de 15 mil profissionais informados de 17 países que conheciam e sabiam algo sobre, pelo menos, sete das 100 maiores empresas desse ano.
Utilizando 18 indicadores, o trabalho de campo deste ano decorreu em pleno confinamento, entre 29 de abril e 11 de maio de 2020. Desde o nosso início deste projeto, houve cinco relatórios: 2014, 2015, 2016, 2018, 2020.
Quando foi publicado o relatório de 2018, “celebravam-se 10 anos desde a pior crise financeira de que há memória. Agora estamos a viver a pior crise sanitária desde há um século. Mas daqui sairá um novo mundo e caberá aos lideres e às pessoas que trabalham para eles responderem às novas exigências e expectativas”, diz o relatório deste ano.
As 10 melhores marcas no ranking das 100 melhores do mundo
Bem firmes nos 10 primeiros lugares estão as eleitas de sempre: Apple, Samsung, Nvidia, Kweichow Moutai, Nike e Microsoft. Segundo o relatório de 2020, publicado em agosto, o tapete vermelho das 10 melhores entre as 100 melhores estende-se para uma estreia (Netflix), bem como três marcas que não estavam no Índice de 2018 (Reliance, ASML e PayPal).
Petróleo e gás
A perceção global sobre as empresas de petróleo e gás está a subir, com a Royal Dutch Shell no topo da lista. A petrolífera subiu do 59º lugar para o 29.º, contrariando a tendência esperada de declínio. Seguem-se as marcas Roche, Oracle, L’Oréal, e Walmart, que registam em 2020 as maiores subidas no índice de perceção global.
Serviços financeiros
Os maiores declínios são das empresas de telecomunicações e serviços financeiros, que registam uma queda na perceção. As que mais descem são a empresa de investimento Berkshire Hathaway de Warren Buffett e a China Life Insurance.
Os serviços financeiros caem globalmente, sugerindo que quaisquer ganhos que o sector possa ter obtido desde o colapso financeiro de 2008/2010 foram afastados pela atual incerteza da economia global.
Bens de grande consumo
Os bens de consumo são setores de grande sucesso neste ranking, com a L’Oréal, Netflix e Walmart a demonstrarem como a resposta proactiva à pandemia impulsionou a perceção interna e externa destas marcas. Os bens de consumo ganham em geral, com a L’Oréal (passando de 57.º para o 20.º lugar) e o Walmart (passando do 75.º para o 41.º lugar) a liderar este setor.
No campo de batalha do entretenimento, a Netflix eclipsou a Disney e agora ocupa o décimo lugar enquanto a Disney desce para 17.º. A Netflix tem vindo a conquistar o seu espaço próprio desde o grande confinamento e pontua pela sua resiliência e boas perspetivas de futuro.
Tecnologia
Das dez maiores empresas de tecnologia, duas são novas participantes nas 100 globais (ASML e Prosus NV) e seis favoritas de sempre, com a Apple, Samsung e Nvidia a terem o melhor desempenho.
Apesar da Apple encabeçar este índice, ocupando o primeiro lugar, a tecnologia continua a ser volátil face às marcas de saúde e farmacêuticas, que são agora vistas como as maiores inovadoras e quem coloca as necessidades humanas em primeiro lugar.
Cuidados de saúde
As empresas de cuidados de saúde avançam e são agora consideradas como estando a fazer aquilo pelo qual as empresas tecnológicas eram famosas no passado, ou seja, inovar para o bem da humanidade.
O novo participante Danaher, já é visto como um líder estabelecido na tecnologia médica, e a Roche é a marca que mais sobe, com projetos que incluem a produção de testes de anticorpos e tratamentos experimentais para o coronavírus.
As novas entradas no top 20 fazem-se pelas empresas inovadoras do setor da energia e infraestruturas, como Nextera Energy, Reliance Industries e ASML, sugerindo que as economias de sucesso no futuro serão as que apostam na alta tecnologia, energias renováveis e assentes em valores e ética.
