De acordo com o último inquérito da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), desenvolvido em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, 83% dos decisores empresariais ouvidos consideram que os programas de apoio do Estado português estão “aquém” e “muito aquém” do que necessitam.
O estudo feito aos associados da CIP durante a semana de 4 de dezembro mostra que as medidas públicas para combater a pandemia continuam a ser consideradas insuficientes, em linha com o que foi registado no inquérito feito na mesma altura em novembro.
Para ultrapassarem as dificuldades, este mês houve mais empresas a pedirem financiamento bancário, indicador que subiu de 44% para 46%. Contudo, há mais empresas a reportarem que ainda não receberam o financiamento que pediram, valor que subiu de 8% para 11%.
A situação das ajudas do Estado à sobrevivência das empresas e manutenção dos postos de trabalho desde o início da pandemia mantém-se negativa e António Saraiva mostra-se preocupado com os resultados desta edição do “Sinais Vitais”, em que foram auscultadas 431 empresas num universo de 1500, sendo a amostra constituída por 71% de micro e pequenas empresas principalmente do setor da indústria e energia.

“Não chega fazer anúncio atrás de anúncio, há que executar as medidas”, critica o Presidente da CIP. Se o Governo tivesse avançado com algumas das propostas apresentadas pela CIP logo em abril, como a oferta de mais apoios a fundo perdido, teriam sido protegidos empregos, evitado gastos com subsídios de desemprego e salvado algumas empresas, defende.
Na sua opinião, a resposta do Estado a esta fase mais do que crítica que atravessamos peca por vir tarde demais. “Rapidez, proporcionalidade e racionalidade” são as três caraterísticas que o dirigente associativo considera fundamentais na resposta do País à crise pandémica. E rapidez é o que mais tem faltado, destaca.
António Saraiva, que recentemente foi nomeado vice-presidente da Business Europe, organização europeia que representa as principais federações empresariais de 35 países, onde Portugal se inclui, refere “um cansaço” da parte das empresas e pelo menos a perda de cerca de 110 mil postos de trabalho com a pandemia.
Quanto às vendas em novembro de 2020, comparando com o mesmo mês do ano passado, são as microempresas as mais afetadas apesar da queda se ter registado em empresas de todas as dimensões.
As expetativas de vendas para os próximos quatro meses é negativa face a 2019: 48% esperarem uma diminuição, enquanto que 17% das empresas esperarem um crescimento. Mas a expetativa de vendas melhorou sobretudo nas grandes e médias empresas, o que, segundo o relatório, “não deve ser alheio às notícias sobre vacinação e sobre chegada de fundos.”
No que respeita à expetativa de evolução do investimento (corpóreo em equipamentos ou instalações e incorpóreo em comunicação, patentes e know how) para 2021 versus 2019, em média, 39% das empresas pensam diminuir investimento. 17% das microempresas preveem aumentar o investimento no próximo ano comparativamente a 2019, enquanto 27% das grandes empresas esperam investir.
“Mas o mais preocupante é a deterioração dos valores de investimento”, lê-se no estudo. Nas empresas que pensam diminuir o investimento, o valor da diminuição passa de 53% para 55% e nas que pensam aumentar o investimento, o valor passa de 38% para 28%.
Relativamente ao emprego, a maioria das empresas pretende manter o número de colaboradores (74%). Mas as que esperam ver reduções (14%) já são mais do que as que esperam aumentar esse número até março (12%). As encomendas em carteiras estão a diminuir em muito mais empresas do que aquelas que estão a aumentar (44% versus 12%), mostra ainda o inquérito.
