Reset your Life! Esqueça a autossabotagem!

Com a aproximação do fim de ano, começamos a questionar se ainda será possível termos uma vida normal durante as festividades natalícias. Vou ser sincero e direto. É difícil criar grandes expectativas de um ano inesperado que teve um pouco de tudo, e muito de incertezas, dúvidas, ansiedade, medos e frustrações. Contudo, proporcionou, igualmente, muitas descobertas, novos ensinamentos, novas experiências e, acima de tudo, uma nova realidade.

Durante esta segunda vaga, acredito que ainda não tivemos todas as experiências com que nos vamos deparar, apesar de estarmos conscientes da sua possibilidade. Esta não foi a primeira crise e não será a última. Estamos a assistir aos primeiros efeitos das mudanças climáticas e o caminho é tortuoso, com cada vez mais catástrofes.

Muitos querem que 2021 chegue rapidamente para começar uma nova vida e esquecer 2020. O anúncio da vacina traz esperança e uma luz ao fundo do túnel, apesar de haver apenas alguns países que a poderão adquirir imediatamente. Ainda iremos ver muita disputa, egoísmo e decisões unilaterais. O mundo está dividido, bipolarizado e vamos precisar de tempo para curar estas feridas.

A digitalização mostra-se mais acelerada a cada dia que passa, e alguns grupos estão a sentir o maior impacto da crise. Os idosos foram forçados a aposentarem-se, as mulheres sofrem desigualdades de género, os jovens, que já tinham dificuldade em iniciar a carreira, estão cada vez mais afetados. A crise do sistema sanitário, criou uma crise financeira, económica, social e, principalmente, emocional. E é sobre isso que pretendo falar hoje. A terceira vaga: a da saúde mental.

Nós, humanos, somos seres sociais e o convívio faz parte da nossa evolução. Porém, estamos a caminhar para um mundo contactless, tanto a nível físico como emocional. Cada vez mais as nossas relações serão digitais, e esta tendência que já estava prevista, tem sido bastante acelerada pela conjuntura atual e as restrições impostas pela pandemia.

As nossas relações serão por meio do mundo digital. Imagine que, quando quiser acabar uma relação amorosa, poderá apenas bloquear a pessoa nas redes sociais e terminar com o assunto. Será mais fácil identificar competências e incompetências numa relação de respostas, baseada em algoritmos do que é certo e do que é errado. O mundo binário será dominante.

A terceira vaga vai afetar muita gente com a síndrome do impostor. Esta síndrome afeta 70% dos profissionais que, frequentemente, não reconhecem que estão a minimizar as suas próprias capacidades.

A síndrome acontece todas as vezes que negamos um resultado factual, sabotando as nossas competências e colocando em causa o mérito de tal realização. Esta síndrome está intimamente relacionada com um ciclo de ansiedade pós-sucesso. Não queremos parecer incompetentes e sabotamos a nossa capacidade de execução. Negamos o nosso próprio talento.

Com certeza que já ouviu esta frase: “Estava no lugar certo, à hora certa.”

Esta frase é a tradicional e típica expressão de quem nega as suas próprias competências e habilidades. A pandemia irá potenciar esta síndrome e é por isso que afirmo que a próxima vaga será a da saúde mental.

Visto isto, é necessário conhecermos esta nova realidade incerta, que se pode tornar bastante assustadora e gerar alguma ansiedade, falta de confiança e receio de não sermos tão competentes como outrora. Estes ingredientes juntos serão o combustível para alimentar um estado mental de autossabotagem.

Não existe um motivo claro sobre o porquê de sofrermos da síndrome do impostor. Todavia, alguns relacionam-na com a ansiedade e a neurociência, enquanto outros ligam-na a comportamentos familiares. Sem motivos completamente justificados, a realidade é que ela existe e é algo que devemos combater. Experimente seguir os seguintes passos:

  1. Reconheça que está a sabotar as suas conquistas e valorize o investimento que fez no seu desenvolvimento pessoal e profissional.
  2. Analise os seus pensamentos de outra perspetiva. Pense o quanto investiu em si próprio e os resultados que alcançou. Foi o seu talento e habilidades que o tornaram bem-sucedido, não o acaso ou a sorte.
  3. Partilhe os seus sentimentos com amigos de confiança, ou encontre um mentor com quem se sinta confortável e possa falar sobre estes assuntos mais delicados.
  4. Procure ajuda profissional, caso necessite de aprofundar e refletir sobre como estes sentimentos estão a afetar o seu bem-estar e a sua vida em geral.

Estando os CEO e líderes de topo sujeitos a uma enorme pressão para entregar os mesmos resultados que conseguiam antes da crise, é bastante provável que venham a sofrer intensamente desta síndrome. Assim sendo, é fundamental fazerem um reset na sua vida, promovendo pensamentos positivos e o mindset correto.

Neste âmbito, sugiro que faça uma lista das 10 coisas que definem o seu talento único. Diga o seu nome em voz alta e reconheça o seu valor. No meu caso: “Eu quero fazer o que for melhor para o Gustavo Santos.” Ou simplesmente: “Eu sou sensacional”. Não com o objetivo de aumentar o seu ego, mas sim de fomentar a sua autoconfiança.

Reconheça as suas conquistas e os esforços que realizou para chegar à sua posição. Lembre-se que não perdeu nada com a pandemia, continua com as mesmas competências e habilidades, mantendo o seu talento.

Numa determinada altura, estava à conversa com uma pessoa sobre o facto de ter chegado a um novo país com um visto de trabalho de profissional altamente qualificado e a possibilidade de precisar de alterar o meu tipo de visto. Percebi que me estava a auto sabotar e a sofrer desta síndrome, quando ela me respondeu: “Porque precisa de alterar o visto? Continua altamente qualificado”.

Reafirme para si próprio que é o único responsável pelo seu sucesso. Se o fizer frequentemente, as suas energias e vibrações mentais irão abrir caminho para a realização dos seus sonhos.

Visualize o seu sucesso por partes e analise previamente como irá gerir determinada situação. Deste modo, irá sentir-se mais preparado, antecipando situações inesperadas e tendo um boost de autoconfiança.

Como toda a gente, tenho dias mais produtivos e dias mais introspetivos, destinados à reflexão. Mas aprendi a reconhecer quando estou a começar a entrar na síndrome do impostor. Experimente começar a fazer este exercício. Fale sobre os seus sentimentos e/ou procure um mentor, pessoal ou profissional, o que for mais adequado às suas necessidades. O seu controlo só depende de si!

Reset your life!


Por Gustavo Santos, chair of CEO Advisory Board Vistage Portugal – Lisbon

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