
A máxima “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”, muito usada para passar a ideia de que é preciso saber separar o trabalho da vida social, deixou de fazer sentido. “As pessoas vão buscar às empresas outras coisas além de um mero salário”, disse Catarina Horta, diretora de Recursos Humanos do Novo Banco, durante a 2.ª edição da “Leading People – International HR Conference”, evento que aconteceu ontem e que pode ser visto na “Líder TV“, posição 165 da grelha do MEO, e na SAPO Vídeos.
Citando um relatório da consultora Boston Consulting Group, a responsável defendeu que as pessoas vão buscar energia e motivação às organizações através de algo a que os autores chamaram de “intimidade social”. No final, o estudo verificou que “o fator humano multiplica o fator produtividade.”

Mário Ceitil, presidente da APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas, também presente no debate “The Spirit of an Organisation”, moderado por Patrícia Matos, Jornalista, e inserido na conferência da Tema Central, está preocupado com um paradoxo: “nunca até hoje o ser humano foi tão valorizado, mas talvez nunca até hoje houve tanta dor nas organizações.” E para reduzir esta “dor” e os níveis de sofrimento dos outros defende o uso da compaixão que é, nem mais nem menos, “estar atento ao problema.”
Na perspetiva de Mário Ceitil é importante os líderes terem noção de que quando uma pessoa aparece para trabalhar ela traz consigo uma história de vida que está cada vez mais marcada pela dor, tanto psicológica como emocional. Ora, esse estado que carregam “mina a motivação das pessoas.” Assim, o líder tem de ter a sensibilidade e a empatia para compreender e ser capaz de atuar para aliviar o sofrimento. “O sentido de pertença é aqui fundamental.”

Elsa Carvalho, diretora de Recursos Humanos da Caixa Geral de Depósitos, concorda e sublinha o papel da compaixão e da importância de termos líderes mais humanos. Acrescenta o conceito de confiança, que, segundo a responsável, é ainda mais importante em momentos de incerteza. “Aquilo que podemos dar às pessoas quando o futuro é incerto á o fator confiança.”
A única certeza que temos é que a crise e a pandemia não vão durar para sempre, defende Elsa Carvalho e Afonso Carvalho, presidente da APESPE RH – Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos- e também CEO da Egor, para quem os principais desafios do futuro do trabalho são a longevidade, “as pessoas vão viver mais anos e trabalhar mais anos”; os modelos híbridos de trabalho; e a saúde mental dos trabalhadores, a tal dor psicológica de que Mário Ceitil falava.
O Leading People – International HR Conference é uma iniciativa da Tema Central, do Lisbon Hub dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial e da Câmara Municipal de Cascais, com a parceria institucional da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, International Club of Portugal, APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas e da APESPE RH – Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos.
O evento conta ainda com o apoio da Capgemini, Multipessoal, Axians, Tabaqueira, Multitempo, Consulting House, Sofia Calheiros & Associates, Turismo de Portugal, ASUS, Holmes Place, Lift, FCB Lisboa, Made2web e Carla Rocha Communication Training.
Acompanhe toda a conversa aqui:

