A conferência Porto RH Meeting vai realizar-se nos dias 26 e 27 de novembro. São dois dias de um evento com uma imersiva componente digital.
“Show Must Go On” é o mote desta edição especial, onde Adaptabilidade, Confiança, Cultura Aberta e Colaborativa, Aprendizagem, #Habitatdigital, Saúde nas Organizações vão ser alguns dos temas em debate.

Em entrevista à Líder Raquel Rebelo, CEO da IFE, revela algumas das novidades preparadas para a Porto RH Meeting, fala da importância da aprendizagem no contexto em que vivemos e explica ainda como toda a equipa tem enfrentado o que chama de “tsunami de mudanças” e como se sentem preparados para o que der e vier.
A primeira parte da 7.ª edição da Porto RH Meeting, conferência que vai acontecer online entre os dias 26 e 27 de novembro, é sobre adaptabilidade e confiança. Como é que os líderes podem aplicar estas duas componentes junto das suas equipas?
A confiança claramente pelo exemplo, com comunicação, coerência e transparência. Sendo autênticos e assertivos. Confiando e sendo confiáveis. Falando verdade, enfrentando e clarificando os problemas, saltando para a linha da frente e tomando decisões. Comunicando com clareza e assumindo compromissos. Sendo humanos, admitindo as suas fragilidades e os seus eixos de melhoria perante as equipas.
A adaptabilidade, inspirando e desafiando! Não tendo medo de errar e mudar de rota sempre que seja necessário. Questionando e mostrando que podemos fazer diferente e melhor, sempre! Que o diferente e o novo não são necessariamente maus e que apesar de a ritmos diferentes, com mais ou menos angústia, há sempre solução. Haja vontade!
Reinvenção é outra palavra chave na atualidade. Que ferramentas os responsáveis de Gestão de Pessoas têm hoje ao seu alcance para se reinventarem num mundo pós-COVID-19?
A capacidade de reinvenção e transformação tem muito mais a ver com uma questão de atitude, com o desenvolvimento dos nossos recursos (ferramentas) internos. Tem tudo a ver com curiosidade, com saber colocar questões, com disponibilidade para estar aberto a novas ideias, a novas realidades, a abandonar a nossa perspetiva e a ver a perspetiva do outro. Tem tudo a ver com não termos medo de fazer diferente e errar, com termos capacidade para nos adaptarmos.
E isso estimula-se, treina-se e desenvolve-se. Pessoalmente, sou adepta do design thinking e recorro frequentemente a algumas ferramentas como o business model canvas, para me ajudar a estruturar e concretizar as minhas ideias no sentido de perceber se têm ou não viabilidade para seguir em frente. Acho que esta é uma das ferramentas que pode ser usada e abusada nos processos de transformação.
Qual é o papel da formação e desenvolvimento de pessoas na preparação para um futuro que não conhecemos?
Aprendizagem é transformação, é movimento, é construção e reconstrução, é envolvimento, é colaboração. A aprendizagem é uma escolha, é um caminho, uma opção individual. E, num futuro que desconhecemos, certamente não menos imprevisível do que o presente, a formação desempenha um papel fundamental na preparação das pessoas para serem capazes de aprender a reaprender.
Aprender a lidar com o imprevisto, a enfrentar o desconhecido e a adaptarem-se à mudança, com flexibilidade e agilidade, aumentando a sua capacidade de resolução de problemas, desenvolvendo o pensamento crítico e a criatividade, e estimulando a autonomia na tomada de decisão.
Aprender em rede, em comunidade, em diferentes momentos, com pessoas diferentes, em diferentes plataformas, a qualquer hora e em qualquer lugar, ao longo da vida.
Reaprender, desaprender, correr o risco de errar e recomeçar. Enfrentar desafios, escolher novos rumos e ter a oportunidade de crescer, como pessoa e como profissional.
O propósito da Porto RH Meeting é o networking, a partilha e a troca de experiências. Como esperam fazê-lo num evento à distância?
A partilha e troca de experiências está assegurada pelo painel de oradores, tal como nas edições presenciais, que foram desafiados a juntar-se a nós neste momento de aprendizagem entre pares para partilhar a forma como gerem pessoas nas suas organizações, inspirando todos os participantes. Num formato digital, mas mantendo a proximidade com quem assiste, dando a possibilidade de colocar questões em privado, fazer comentários públicos e interagir com os oradores no final das intervenções.
A interação e o networking está suportada na webapp desenvolvida à medida para o evento, onde será recriado o espaço de networking de um evento físico, na medida do possível, onde todos os participantes poderão interagir entre si, trocando mensagens, fazendo comentários e partilhas no mural do evento e visitando os stands na área de exposição, para obter informações, questionar soluções e reunir com as equipas em videochamada.
Como é que a própria IFE by Abilways se tem vindo a adaptar, tanto durante o confinamento como no pós-confinamento? E de que forma a empresa se está a preparar para o “novo normal” num mundo pós-pandémico?
Fomos bastante ágeis e reagimos muito rápido. A 16 de março fomos para casa antecipando o confinamento geral e o teletrabalho obrigatório. Com a ExpoRH agendada para final do mês, tivemos de assumir o adiamento e por mãos à obra para encontrar uma solução para o digital, não sem muita resistência inicial à ideia. A 20 de março estávamos a dar formação aos nossos formadores, já depois de termos definido o nosso modelo pedagógico digital, com o apoio da direção de inovação do Grupo Abilways.
A 8 de abril lançámos o catálogo de formação digital, com a estruturação da nossa oferta em digital learning e a 11 de maio estávamos a dar início a um projeto de formação numa empresa da indústria farmacêutica, transversal a todos os colaboradores, com seis turmas a decorrer em paralelo durante 3 meses, todos os dias da semana, com uma equipa de 15 formadores envolvida.
A 14 de maio organizávamos o primeiro ciclo de conferências online com 350 pessoas a participar e interagir e em junho tivemos mais de 1500 participantes na ExpoRH live.
O digital já fazia parte da nossa estratégia de médio prazo e estávamos certos de que o futuro iria passar necessariamente pela combinação da experiência digital com a experiência presencial. Já tínhamos começado, mas fizemos em 3 meses o que estávamos a tentar implementar há mais de 2 anos.
Foi uma maratona, com muitos altos e baixos, com pessoas sempre no pelotão da frente a puxar pelos outros que estavam quase a desistir, mas nunca baixamos os braços e hoje somos certamente uma empresa diferente. Depois de termos enfrentado este tsunami de mudanças estamos preparados para o que der e vier.
