Quem liderou a transformação digital da sua empresa: A) CEO, B) CTO, C) Equipa de Inovação, D) COVID-19? Esta anedota passou nas redes sociais durante a crise pandémica.
A previsão é que a digitalização substituirá partes significativas da força de trabalho humana até 2030. Parece que a crise acelerou a adoção da tecnologia no nosso dia a dia e preparou o terreno para esse futuro. O boom no uso da tecnologia nos últimos meses também teve um impacto no negócio de Learning & Development (L&D).
Com o uso transversal de video-conferência, o acesso à formação tornou-se rápido, fácil e flexível. E a oferta aumentou. Nunca antes houve tanta escolha de conteúdo e forma: webinars gratuitos, vodcasts, blogs, formações online pagas em plataformas estabelecidas, academias virtuais e team buildings digitais. E a lista não se fica por aqui. A oferta é tanta que quase nos sufoca. Tornou-se difícil saber que webinar escolher e em que conferência virtual participar.
O que observo é que as pessoas ficam tão estimuladas com a quantidade de recursos gratuitos que tal acaba por dar origem a uma “fadiga de aprendizagem”. Um cansaço que pode gerar ainda mais desafios.
Em primeiro lugar, o compromisso de participar numa sessão virtual é mais baixo do que numa sessão presencial. Como as sessões virtuais são geralmente mais curtas do que as sessões presenciais, elas são apenas um breve compromisso na agenda e fácil de cancelar. A resposta a esse desafio é óbvia: quanto mais relevante o tema, maior o comprometimento. Em segundo lugar, muitos webinars gratuitos são usados para promover outros serviços pagos e dão pouco em retorno, deixando os participantes com uma sensação de pouco ganho pelo investimento de tempo. O risco pode ser uma generalização excessiva que leva a questionar o valor de qualquer tipo de intervenção online.
Para superar este desafio de desvalorização, é preciso assegurar a resposta à pergunta: What’s in it for me? Finalmente, a facilidade de acesso ao conhecimento (não aptidão!) pode criar uma ilusão de mestria: eu sei, então sei fazer. Mas, na minha experiência, o conhecimento comum não é prática comum. Deste modo, estamos a criar uma força de trabalho que pensa que sabe tudo e, portanto, sabe fazer tudo, mas na qual o conhecimento não passa para a prática. E repetir os mesmos tópicos continuamente só aumenta o cansaço.
O sucesso do negócio de L&D no futuro dependerá de quão bem a oferta corresponda às necessidades individuais. As oportunidades de aprendizagem virtual têm de ser transformadas em experiências que são individualmente relevantes e que garantem a transferência do conhecimento para a prática.
Na Consulting House procuramos criar estas experiências que juntam as pessoas e o negócio. Fale connosco.

Por Nicole Eifler, Partner na Consulting House
[Este artigo foi publicado na Aprender Magazine de outubro, que pode ser lida na íntegra aqui.]
