Enquanto a crise pandémica tem sido simétrica, ou seja, toca a todos de igual maneira, já o impacto da pandemia é assimétrico devido às desigualdades económicas e sociais que existem entre países, defende Jorge Moreira da Silva, diretor da Direção de Cooperação para o Desenvolvimento da OCDE.

“Milhões de pessoas vão entrar na pobreza nos próximos seis meses”, lançou sem reservas o ex-ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia de Portugal que foi também assessor do ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.
Durante a Planetiers World Gathering, conferência sobre inovação sustentável que decorreu em finais de outubro na Altice Arena, em Lisboa, Moreira da Silva disse não acreditar que possamos ultrapassar esta crise sem apoiar os países não desenvolvidos.
“Os países mais pobres já estão em terreno negativo financeiramente. África já está a receber menos dinheiro da parte das economias desenvolvidas. Não podemos pedir aos cidadãos para pagarem mais impostos porque eles não podem. Não podemos gerar mais dívidas porque os países já estão mais do que endividados.”
A questão neste momento, na sua opinião, é saber como e com quem devemos desenvolver o caminho da sustentabilidade. Em 2015 muitas coisas foram definidas e hoje “não há espaço para a complacência.”
Mesmo antes da pandemia rebentar, os países não estavam a cumprir os seus compromissos. E, segundo o responsável, “continuamos off track”, pois o nível de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera continua a subir. “Com tantas pessoas na pobreza e desigualdades, é importante abordar o desenvolvimento sustentável de forma compreensiva.” No seu ponto de vista, a crise pandémica é também uma crise de confiança.
Mas o caminho é para a frente e Jorge Moreira da Silva mostra-se otimista quando diz que o custo da produção de energias renováveis desceu muito, o que é um bom sinal. Outro fator de esperança, explicou, é o facto do setor privado estar a chamar a si a responsabilidade pela sustentabilidade, uma vez que os investimentos ditos verdes podem vir a ser financeiramente favoráveis.
Hoje, além do apoio do setor privado, podemos ainda contar com o poder da juventude. “Os nossos filhos estão a tomar a liderança: quando nos sentamos à mesa perguntam-nos o que estamos a fazer pelo ambiente.”
Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e pós-graduado em Gestão, Jorge Moreira da Silva é o fundador e presidente do think tank Plataforma para o Crescimento Sustentável.
Fundador da Plataforma para o Crescimento Sustentável (PSG), cujo objetivo é identificar políticas e medidas para promover o crescimento sustentável, o seu trabalho centrou-se inicialmente no Relatório de Crescimento Sustentável que foi coordenado por si próprio, identificando políticas e medidas de promoção do crescimento sustentável em Portugal. O PSG envolve quase 400 membros, líderes reconhecidos e especialistas dos setores privado, académico, governamental e do terceiro setor, trabalhando como voluntários em 30 grupos de trabalho.
