As teorias da liderança têm vindo a valorizar a força e a racionalidade calma do líder no momento em que tem de tomar decisões difíceis e de enfrentar crises avassaladoras. Um modelo em que não entram as emoções. Por exemplo, empatia e compaixão são tradicionalmente retratadas como algo que é fraco e sentimental, portanto a antítese da razão.

Resultado: “o efeito destas suposições é justificar abordagens de liderança sem empatia e compaixão”, afirma Ace Simpson, professor da escola de negócios Brunel Business School, pertencente à Brunel University London, no Reino Unido.
O professor de Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional fez uma palestra na Leadership Summit Portugal sobre o estilo de liderança da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que é considera um bom exemplo de quem segue o modelo da liderança pela compaixão. A responsável política, que já ultrapassou três crises no país a liderar com compaixão, é frequentemente descrita nos media como “gentil e forte” e “empática e forte”.
A liderança pela compaixão integra duas qualidades, para muitos contraditórias, que são a empatia e a força, explica Ace Simpson. O estilo de Ardern vem deitar por terra a ideia de que um líder empático é um líder fraco.
Isto porque a empatia não é o único ingrediente na equação da liderança pela compaixão. Ter força e ser-se duro na tomada de decisão são também atributos deste tipo de conduta. Jacinda Ardern é também descrita como tendo “nervos de ferro”; “compassiva, mas com um estilo de liderança duro”; e tendo um “idealismo pragmático.”
A equipa de investigação do professor Ace Simpson sintetizou este estilo e liderança como um mix de quatro caraterísticas: idealismo, ou seja, promoção de valores de bem estar; inclusividade, ou seja a inclusão no processo de decisão de pessoas que normalmente não são chamadas a participar nas discussões; realismo ou racionalidade, onde entram as alianças com a comunidade cientifica, os sistemas e processos; e o pragmatismo, em que se inclui a eficácia, a utilidade, a força da decisão.
Para concluir, o professor Simpson acredita que estes princípios, que fazem parte de um estilo pessoal, podem ser generalizáveis. “Embora o caso de Ardern seja de facto específico para a sua personalidade e contexto, apresento-o como um ponto de partida para articular uma teoria mais ampla de liderança compassiva.”
Ace Simpson é co-autor de Positive Organizational Behavior (Routledge, 2019) e os seus estudos já foram publicados em revistas como a Academy of Management, Journal of Management, Journal of Business Ethic e Management Learning.
Hoje, o seu principal foco da pesquisa é a falta de compaixão organizacional na maioria dos programas que pretendem resolver problemas do bullying no local de trabalho.
