Portugal volta a perder posições pelo terceiro ano consecutivo, descendo de 34 para o 37.º lugar, entre as 63 economias analisadas, segundo o Ranking de Competitividade Digital do IMD World Competitiveness Center. Mantém assim a tendência decrescente dos últimos cinco anos, com exceção de 2018 em que subiu.
Apesar de ter conseguido melhorias ligeiras nas áreas do Conhecimento e da Tecnologia, a economia nacional caiu três posições face a 2019 e não conseguiu acompanhar o ritmo de competitividade digital de outros países.
O ranking dos países mais competitivos no digital em todo o mundo continua a ser liderado pelos EUA, seguido de Singapura e Dinamarca, que substitui a Suécia no Top 3. No Top 10, destaque para a subida de três posições registada por Hong Kong (5.º) e, em sentido contrário, para a queda de três lugares da Finlândia (10.º). A China tem tido um crescimento consecutivo e este ano entra no Top 20 (16.º), depois do 22.º lugar em 2019 e 30.º em 2018.
A escola de negócios da Universidade do Porto, Porto Business School é, desde 2015, e pelo quinto ano consecutivo, parceira exclusiva da escola de negócios suíça IMD na elaboração deste ranking para Portugal. Com sede em Lausanne e Singapura, o IMD continua no Top 3 do Executive Education Global Ranking do Financial Times nos últimos nove anos consecutivos e entre os cinco primeiros há 17 anos consecutivos.
Segundo o ranking, onde Portugal se posiciona perto da metade da tabela e à frente de apenas oito países da União Europeia, é no indicador de Conhecimento que a economia nacional apresenta uma melhor performance, apesar de ter descido duas posições.

Já quando avaliada na categoria Tecnologia, apesar de ter melhorado em todas as vertentes, manteve o 38.º lugar. Foi no indicador Preparação para o Futuro que a perda de competitividade digital da economia portuguesa foi maior – a descida foi de sete posições face a 2019.
Conhecimento digital não é transportado para as empresas
O Conhecimento mantém a tendência dos anos anteriores enquanto indicador que mais contribui para tornar a economia nacional competitiva no digital, com classificações sempre a oscilar entre a 27.ª e a 33.ª posição, desde 2016.
Em 2020, Portugal volta a subir a classificação na Qualidade do seu Talento (26.º para 24.º), tal como na Formação & Educação que proporciona (sobe de 39.º para 38.º) e, ainda, na Concentração de Conhecimento que existe no País (sobe duas posições, de 32.º para 30.º).
No entanto, a descida de posição no indicador Conhecimento (31.º para 33.º) serve de alerta para o facto do crescimento ser a um ritmo mais lento do que noutros países, sobretudo devido à fraca prestação das empresas na Formação de Colaboradores (58.º). Em destaque, nesta área, surgem a existência de boas Competências Digitais e Tecnológicas (14.º) na população portuguesa e ao número de Graduados em Ciência (13.º).
O problema da competitividade digital de Portugal tem sido a pouca Preparação para o Futuro, com a descida da 34.ª para a 41.ª posição a evidenciar alguma dificuldade em transpor o Conhecimento para a realidade das empresas.
A falta de Agilidade no Negócio (57.º), que as empresas têm demonstrado é o fator que mais impacta esta queda de sete lugares, nomeadamente devido a baixas pontuações na Deteção de Oportunidades & Riscos (50.º), no Receio do Fracasso (49º) e no Uso de Big Data & Analytics (55.º).
Também no que respeita à Tecnologia, Portugal apresenta um crescimento residual em todos os subfatores, o que não foi
suficiente para alterar a posição que o país ocupa no ranking (38º). Se, por um lado, a qualidade das Tecnologias de Comunicação (5º), o Número de Utilizadores de Internet (12º) e as Leis de Imigração (4º) fazem com que o país se torne um dos mais competitivos no digital, por outro, a reduzida penetração de Assinantes de Banda Larga Móvel (59º) e a falta de Exportação de Tecnologia de Ponta (55º) empurram Portugal para a metade inferior da tabela.
Para Rui Coutinho, diretor executivo de Inovação & Crescimento da Porto Business School, “é na agilidade da gestão que está o problema, mas também a solução. Cabe aos gestores portugueses compreenderem a importância de adotarem uma gestão mais empreendedora, mais ágil e mais adaptativa – um novo ‘darwinismo organizacional’ -, que precisa de recorrer a novas ferramentas digitais, suportar as decisões em dados e apostar, de forma clara, nas competências dos trabalhadores para o digital.”
