O ex-CEO da Cambridge Analytica, a empresa de dados que trabalhou para a campanha de Trump de 2016 e fechou em 2018 por causa de um escândalo de manipulação de eleitores envolvendo grandes quantidades de dados do Facebook, foi proibido de gerir empresas por um período de sete anos.
A rede social Facebook tem estado no centro desta vasta polémica internacional com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores da rede social, sem o seu consentimento, para criar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha de Donald Trump.
No âmbito do compromisso, Alexander Nix não contestou que causou ou permitiu que a SCL Elections Ltd ou empresas associadas se anunciassem como oferecendo serviços antiéticos a potenciais clientes. Assim, assinou um termo de desqualificação que foi aceite pelo Secretário de Estado em 14 de setembro e a resolução terá início a 5 de outubro.
O inglês Alexander Nix, de 45 anos, foi diretor da SCL Elections Ltd, uma empresa que fornecia serviços de análise de dados, marketing e comunicação para clientes alvo de campanhas políticas e comerciais. Foi diretor de cinco outras empresas relacionadas entre si e com sede no Reino Unido: SCL Group, SCL Social, SCL Analytics, SCL Commercial e Cambridge Analytica (UK).
A partir de 2016, a SCL Elections foi incluída num processo de mudança de marca de empresas associadas que operavam sob os nomes comerciais Cambridge Analytica, CA Political (Global) e CA Commercial.
O SCL Elections e as cinco empresas conectadas, no entanto, cessaram atividade após publicações dos meios de comunicação do Reino Unido e dos Estados Unidos. Algumas das acusações contra as empresas estavam relacionadas com o suposto oferecimento de serviços antiéticos a clientes potenciais.
As seis empresas entraram em processo de insolvência em maio de 2018 e depois, em abril de 2019, em liquidação obrigatória. A insolvência chamou a atenção do Serviço de Insolvência, que deu início às investigações sobre a conduta dos seus diretores.
Os serviços antiéticos oferecidos pelas empresas incluíam suborno, campanhas de não envolvimento de eleitores, obtenção de informação com o fim de desacreditar opositores políticos e divulgação, de forma anónima, de certas informações em campanhas políticas.
Mark Bruce, investigador-chefe do Serviço de Insolvência do Reino Unido, disse: “Os diretores da empresa devem agir de forma honesta e correta. As ações de Alexander Nix não seguiram o padrão adequado para um diretor de empresa e a sua desqualificação da gestão de sociedades anónimas por um período significativo de tempo é de interesse público.”
