“O mundo mudou dramaticamente desde a última atualização do World Economic Outlook há três meses”, começou por dizer Gita Gopinath, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao abrir esta terça-feira a conferência de imprensa online. Refere que o cenário de pandemia não esteve fora das previsões emitidas no passado, mas reconhece: “nenhum de nós tinha uma noção clara de como seria no terreno e o que tudo isto significaria para a economia.”
Agora, a realidade é esta: “o crescimento exponencial do contágio significa que 100 indivíduos infetados se tornam 10 mil em poucos dias. ”Trata-se de uma crise única, que não é igual a nenhuma outra que conhecemos. Resultado, a economista do FMI prevê “a pior crise desde a Grande Depressão [de 1929] e que venha a superar a crise financeira global de há uma década [de 2008-2009]. ”A economia mundial espera-se que caia 3% em 2020 e que recupere 5,8% em 2021. Mas Gopinath adverte: “o Produto Interno Bruto (PIB) permanecerá abaixo do nível pré-vírus.”
“É assumido que as disrupções estejam sobretudo concentradas no segundo trimestre de 2020 para quase todos os países exceto a China (onde estiveram no primeiro trimestre), com uma recuperação gradual depois, à medida que a economia ganha algum tempo para aumentar a produção.”
No entanto, acrescenta: “há uma incerteza extrema em torno das projeções para o crescimento mundial”, já que “a quebra económica depende de fatores que interagem de maneiras que são difíceis de prever”.
Note-se que estas estimativas já refletem o que se espera que seja o desenvolvimento da pandemia no futuro e as medidas de saúde pública necessárias para retardar a propagação do vírus, proteger vidas, e permitir que os sistemas de saúde consigam lidar com o surto.
