Devolver riqueza à sociedade


Para assinalar a passagem do 100.º aniversário do nascimento de António Champalimaud, e por iniciativa familiar, foi escrito e agora publicado António Champalimaud – Um olhar, de Jaime Nogueira Pinto (Publicações Dom Quixote). Champalimaud foi um daqueles homens que moldou Portugal, um empresário que deixou marca. Na política portuguesa os empresários cujas empresas ganham escala e deixam marca são muitas vezes maltratados, alvos preferenciais de críticas ideológicas. Mas, como aqui tenho tratado, será possível distribuir riqueza se os empresários, tenham eles a ideologia que tiverem, não forem capazes de a criar?

Mas a criação de riqueza não é o tema que hoje trago. O meu tema é outro: os empresários portugueses começam a devolver à sociedade. O grande empresário japonês Konosuke Matsushita defendia que os ganhos que as empresas retiram da sociedade à sociedade devem ser devolvidos. A Fundação Champalimaud está aí para mostrar o processo. E outras famílias e fundações fazem o mesmo caminho, partilhando a riqueza.

Tínhamos a ideia de que este tipo de mobilização filantrópica era comum mas apenas noutros países. Felizmente, a realidade nacional mostra que já não é assim e a Fundação Champalimaud está aí para o demonstrar. A sociedade civil move-se e cumpre o seu papel na senda de um país mais desenvolvido. Importa por isso que todos cumpramos a nossa parte, criticando quando é preciso mas elogiando o que é digno de nota. Por isso aqui fica a nota de gratidão a propósito da passagem deste aniversário. A António Champalimaud, certamente, mas também a todos empresários filantropos que ajudam a criar uma sociedade civil vibrante, exigente e construtora do país que almejamos ser.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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