Maria Román: «No Lidl regemo-nos por cinco princípios básicos de liderança»

São cinco os princípios que guiam o Lidl nas várias fases deste contexto de pandemia. Maria Román, Diretora Geral de Recursos Humanos do Lidl, conta que as chefias e os colaboradores, regidos pelo que apelidam de “High Five”, demonstraram não só estar à altura como superaram as expectativas.


Maria Román é espanhola, chegou a Portugal em 2009 e já se sente completamente em casa. Ingressou em 2015 no Lidl e em finais de 2017 assumia pela primeira vez a Direção de Gestão de Pessoas.

Trabalhou em consultoria, linhas aéreas e media. Vem de realidades muito diferentes, onde a comunicação era mais caótica e vivia do improviso. No Lidl tomou as rédeas de uma área dinâmica e com terreno fértil para maestrar. O que não é de estranhar, estamos a falar de um dos maiores players do retalho alimentar em Portugal com 7 mil colaboradores, distribuídos por mais de 259 lojas, de norte a sul do País, e quatro direções regionais e entrepostos, para além da sede: Famalicão (Norte), Torres Novas (Oeste), Sintra (Centro) e Palmela (Sul).

Colocámos a pergunta: Que lições de liderança aprendeu com a COVID-19? a alguns líderes, Maria Román aceitou o desafio:

«Esta pandemia ensinou-nos que estabelecer prioridades e ter uma liderança capaz de orientar os colaboradores em torno de um propósito comum são cruciais em qualquer empresa. Neste contexto, a robustez e a vivência diária dos valores de uma empresa foram igualmente colocados à prova sendo que, no Lidl, as nossas chefias e colaboradores não só demonstraram estar à altura como superaram as expectativas, numa situação deveras imprevisível.

No Lidl regemo-nos por cinco princípios básicos de liderança – que apelidamos de “High Five” – e que foram fundamentais para nos guiar neste cenário atípico:

“Lideramos através da comunicação”, que acreditamos deve ser simples e direta, falando de forma aberta e atempada, informando sempre os colaboradores primeiro. Nesse sentido, quando surgiu o primeiro caso em Portugal disponibilizámos um microsite interno com toda a informação útil e importante sobre o tema – informação esta também disponível na app móvel acessível a todos. À medida que a situação foi evoluindo alargámos o horário da nossa Linha do Colaborador, para esclarecimento adicional de dúvidas ou questões e, sempre que pertinente, a Administração endereçou diretamente as equipas utilizando o recurso a vídeo para esclarecer e apoiar.

“Desenvolvemos os colaboradores”, pelo que capacitamos e encorajamos os mesmos, pois são a base do nosso sucesso coletivo. Os nossos estiveram na linha da frente desde o primeiro dia e contaram connosco não só para lhes darmos as ferramentas que precisavam, mas sempre muito atentos ao seu feedback para que pudéssemos garantir uma resposta contínua.

“Mantemos um elevado desempenho e dinamismo”, ou seja, sempre que é necessário fazer alterações, fazemo-lo de forma proativa – e foi o caso -, tendo trabalhado lado a lado não só com os colaboradores, mas também com fornecedores e parceiros da cadeia de valor por forma a garantir o abastecimento de bens a todos os nossos clientes e, tão ou mais importante, no que diz respeito a medidas de segurança – como gel desinfetante, máscaras, acrílicos e controle de acessos -, fomos, de forma geral, os mais rápidos a implementá-las.

“Criamos confiança e agimos de forma justa”, confiando nos nossos e acreditando que estão (e estiveram!) à altura da responsabilidade que lhes foi/é atribuída, pelo que houve uma partilha constante de informação e um reconhecimento da empresa pelo trabalho efetuado ativamente durante o período mais crítico da pandemia, através de um ‘obrigado monetário’.

“Viver a responsabilidade e ser um exemplo”, pois acreditamos que não podemos exigir o que não fazemos. A empresa não baixou os braços enquanto não garantiu as melhores condições para os seus colaboradores ao nível da segurança e higiene neste tempo de pandemia, estando sempre no terreno a acompanhar e apoiar, não sendo invulgar avistar um diretor ou administrador a ajudar na reposição de artigos em loja, por exemplo.

Estes princípios foram o nosso alicerce para as várias fases deste contexto de pandemia. Primeiro, preparámo-nos e traçámos vários cenários possíveis, mantendo-nos na linha da frente, com uma permanente adaptabilidade dos nossos processos, otimização da gestão das equipas e implementação progressiva de um conjunto de medidas que garantiram a segurança dos nossos colaboradores e clientes. Numa segunda fase, no estado de emergência, continuámos com uma gestão ao minuto, que exigiu uma grande capacidade de adaptação e resiliência das equipas e a qual foi sempre possível graças ao esforço destas. Agora, num momento mais estável e neste ‘novo normal’, o empenho dos nossos colaboradores mantém-se, com algumas equipas ainda a trabalhar remotamente, sendo também um desafio gerir equipas com necessidades díspares – tanto presencial, como remotamente – e continuamos a acompanhar o desenvolvimento da situação de perto.

Esta pandemia veio provar que é nestes momentos que a liderança das empresas assume um papel crucial, sendo imperativas a flexibilidade e assertividade, bem como é fundamental garantir uma relação de proximidade e confiança com os colaboradores, através da auscultação das suas necessidades, percebendo as suas preocupações, procurando dar resposta às mesmas e ter a capacidade de os motivar, orientando com vista a alcançar um propósito comum».

O artigo foi publicado na edição n.º 11 da revista Líder.

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