O “amanhã” dos fabricantes no setor da Aeronáutica é a entrada no negócio do pós-venda, na manutenção, disse Sérgio Almeida, Diretor de Tecnologias de Informação da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, fabricante português de estruturas de aeronaves, fundado em 1918 e hoje detido maioritariamente pelo consórcio brasileiro da empresa de aeronáutica Embraer e pelo Governo de Portugal.

“A produção só por si já não é um atrativo”, explicou o responsável na intervenção que fez no Tomorrow 2020, um evento virtual organizado pela Bi4all, empresa de consultoria em transformação digital, onde foram debatidas as principais tendências em Analytics, Big Data, Data Science e Inteligência Artificial.
De facto, para o fabricante de estruturas de aeronaves para a aviação civil, com sede em Alverca do Ribatejo, o serviço de manutenção faz parte do core da empresa há mais de 100 anos.
A ideia mantém-se no sentido de poder antecipar a necessidade de manutenção das estruturas vendidas – o que traz uma vantagem clara para o cliente – através de Big Data, Analytics e Inteligência Artificial. Estas tecnologias de ponta não são uma novidade para a OGMA, habituada a operar num sector de extrema exigência e a exportar 95% do que produz.
Desde março de 2020, com a pandemia, que o setor tem vindo a sofrer fortes quedas no volume de vendas. Sérgio Almeida explicou que as exportações baixaram e por isso procura-se reduzir custos através da otimização de processos, identificando os processos que mais trazem retorno.
Com o Robotic Process Automation (RPA), uma nova ferramenta tecnológica que utiliza a Inteligência artificial e automatiza partes ou atividades inteiras de processos de negócio, a OGMA está a automatizar tarefas repetitivas para libertar as pessoas que são uteis em atividades que não podem ser feitas por máquinas e robôs.
Desta forma, os processos da empresa são otimizados e a mão de obra humana em tarefas repetitivas é reduzida. “A otimização de processos e RPA servem para termos mais valor direto das pessoas e não estarem tanto tempo ocupadas com tarefas repetitivas”, frisou Sérgio Almeida.
No Big Data, a OGMA está a tentar fazer parcerias no mundo para ter acesso a dados e conseguir fazer previsões. “São precisos dados com valor e informação que se traduza em conhecimento para apoiar a decisão.”
Sobre a importância e qualidade dos dados, Rui Gorgueira, Executive Director da Bi4all, também presente na conversa, disse que as novas plataformas de Big Data são cruciais para se conseguirem desenvolvimentos mais rápidos, mas também ao nível das decisões. “Não basta ter os dados, temos de estar num patamar acima e usar as plataformas para aumentar a capacidade de decisão- e deixar os humanos com as decisões que trazem valor.”
No mesmo debate participou Jorge Rodrigues da Ponte, Vice-Presidente do IRN – Instituto dos Registos e do Notariado, que explicou como o Data Analytics está a ser usado para melhorar o serviço público de registos e notariado em todas as suas vertentes, do civil e predial ao automóvel. “Temos e saber analisar a procura dos cidadãos, quem são, de que precisam, e melhorar a nossa capacidade preditiva.”
Neste momento, os projetos em curso do IRN incluem a aplicação de Inteligência Artificial na deteção de terrenos a nível nacional; melhoria do sistema de agendamento para passar a relembrar automaticamente as pessoas das suas marcações, por sms, por exemplo; uma plataforma interna que dê uma visão centrada no cidadão para ser possível integrar informação de todas as áreas: civil, predial e automóvel; e alavancar o atendimento telefónico para passar a prestar serviços à distância e porque “os clientes ainda precisam de falar com alguém.”
Por fim, o IRN está a trabalhar no novo cartão do cidadão que, por diretiva comunitária, deverá estar pronto em 2021. “A tecnologia não resolve todos os problemas, mas é o melhor instrumento para dar resposta a esta crise”, disse, em tom de fecho, Rui Gorgueira da Bi4all.
