Esta cidade portuguesa quer tornar-se numa “Fellow City” e tem um plano

Matosinhos tem procurado posicionar-se entre as cidades viradas para o futuro – as conhecidas “smart cities”. É a única candidata portuguesa a “Fellow City” e tem um plano energético com soluções urbanas inteligentes para se transformar numa cidade ambientalmente saudável, pelas mãos da MatosinhosHabit.

O plano inclui a descarbonização do município e a criação de bairros autossustentáveis. Tiago Maia – administrador da MatosinhosHabit, que integra o ATELIER, o projeto energético europeu que vai permitir alcançar o título de “Fellow City”, à semelhança de Amesterdão e Bilbao – explica à Líder como vai concretizar esta estratégia de afirmação de Matosinhos enquanto cidade eficiente e ecológica.


Este ano, a MatosinhosHabit integrou um dos mais inovadores projectos energéticos europeus, o ATELIER, que desenvolverá um plano energético para o concelho. Antes de mais, como é que integraram este projeto e em que é que vai consistir o plano?
Matosinhos sempre se pautou por ser um município que procura a excelência. Desde a Gastronomia à Arquitetura e ao Design, o município procurou sempre posicionar-se entre cidades viradas para o futuro. É nesse sentido que surge a candidatura ao projeto ATELIER e a respetiva integração de Matosinhos como “Fellow City”. O projeto ATELIER incide a sua ação na redução de emissões de CO2, através da implementação de soluções urbanas inteligentes que englobam uma combinação de normas técnicas, financeiras, legais e sociais que apoiem a integração de sistemas, a produção de energia renovável e de alta eficiência energética. Visa também a adoção de sistemas energéticos sustentáveis, seguros e acessíveis à população (Distritos de Energia Positiva – PED), proporcionando uma melhoria na qualidade de vida dos cidadãos ao nível do ambiente urbano e habitacional, mas também através da criação de sistemas inteligentes que contribuam para a segurança e a acessibilidade do sistema como um todo. Esta planificação permitirá continuar com a aposta na sustentabilidade ambiental do município, concretizando a estratégia de afirmação de Matosinhos enquanto modelo de cidade eficiente e ecológica.

O que pode ser já desvendado e partilhado em termos de números na redução de consumos?
O principal objetivo do projeto é a descarbonização das cidades, isto é, que a diferença entre consumo e produção de energia seja nula. A estimativa em termos de número visa sempre este objetivo, procurando o equilíbrio entre as variáveis consideradas. Se um conjunto de edifícios consome, por exemplo, 348 MWh/a de energia, o objetivo passa por colocar a produzir os mesmos 348 MWh/a de energia. Com este encontro entre consumo e produção, numa lógica ambientalmente saudável, minimizamos o impacto do abastecimento energético do Município.

Quando é que Matosinhos se vai tornar numa “Fellow City”?
Atualmente está a ser executado o WP2, ou seja, a construção da visão da cidade para 2050, que contempla a análise dos planos em execução pelo município (planos relacionados com a descarbonização da cidade, nos quais se inserem, entre outros, as obras realizadas nos nossos conjuntos habitacionais), o desenvolvimento de ferramentas de planeamento energético e a criação de um plano de ação para a implementação desta “nova” cidade. O objetivo é que este traduza as opções do município para a sua descarbonização. A operacionalização destes planos de execução marca o início de Matosinhos enquanto “Fellow City”.

O que significa ser uma “Fellow City” na prática?
As “Fellow Cities, como é o caso de Matosinhos, vão procurar replicar e adaptar as soluções desenvolvidas pelas duas cidades pioneiras (Amesterdão e Bilbao) e complementar com medidas estruturais vocacionadas para as especificidades da identidade territorial e das dinâmicas sociais locais. Particularmente neste município, está prevista a aplicação das práticas em estudo, dando cumprimento ao objetivo da cidade para 2050. É um projeto com uma dotação orçamental de cerca de 21,9 milhões de euros, o que demonstra a forte convicção do Município nesta matéria.

O que representa, para si e em termos nacionais, o facto de Matosinhos estar a tornar-se na única cidade portuguesa “Fellow City”?
A história e o património de Matosinhos sempre alimentaram a vontade de trabalharmos para garantir que o município continua a ser uma referência nacional e que seja exemplo das cidades do futuro. Este projeto, pelo seu caráter inovador e diferenciador, fará cumprir essa ambição e posicionará Matosinhos num plano de grande reconhecimento, ao tornar-se na única “Fellow City” portuguesa. Esta distinção, que recebemos com agrado, traduzir-se-á na multiplicação dos esforços para que, se tudo correr como planeado, as soluções inteligentes possam ser alargadas ao restante espaço urbano do concelho. O ATELIER compreende 30 parceiros, desde municípios, faculdades, institutos e entidades tecnológicas, o que nos motiva a acreditar na qualidade e viabilidade do projeto que abraçamos. Matosinhos, com esta integração, está ao lado de cidades como Cracóvia (Polónia), Copenhaga (Dinamarca), Budapeste (Hungria), Bratislava (Eslováquia) e Riga ((Letónia), enquanto “Fellow Cities”, o que é representativo da importância desta nomeação e da excelência que se pretende para o território.

Pode partilhar alguns conselhos e soluções que ajudem a transformar em Distritos de Energia Positiva (PED)?
Uma das soluções a colocar em prática é, por exemplo, a do Bairro Autossustentável. Um conjunto de edifícios dotados de sistemas de alta eficiência energética que geram energia suficiente para consumo próprio e ainda possam fornecer outros edifícios de áreas urbanas diferenciadas. Outro exemplo a referir para alcançar essa transformação é a melhoria significativa do conforto térmico das habitações, através de beneficiações nas habitações ao nível das fachadas dos edifícios, o que permitirá um menor dispêndio de energia elétrica em eletrodomésticos de conforto. Estas soluções são apenas alguns exemplos da estratégia que o município pretende implementar, sem descurar as boas práticas que foram já efetivadas pelos parceiros tecnológicos e se revelaram de grande sucesso.

Por TitiAna Amorim Barroso

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