Não há campeões de mente fraca

A pandemia trouxe muitas limitações, muito medo e preocupação, obrigou a mudar hábitos, procedimentos, deslocou as pessoas, enfim, uma imensidão de alterações à escala planetária, mas para mim o que mais deixou a descoberto foi a fragilidade mental das pessoas.

Sabemos que a Segunda Guerra Mundial já foi há mais de 70 anos e temos várias gerações que não conhecem de perto as privações de um ambiente de guerra e isso tornou muitas pessoas demasiado acomodadas, certas do seu conforto, achando que nada pode correr mal, e esse paradigma alterou-se. Afinal tudo pode mudar num segundo.

Os ambientes de teletrabalho, de isolamento em casa, de receio de contacto, de interação mais superficial, estão a gerar sequelas e a provocar desequilíbrios que se vão notando nas pequenas coisas no dia-a-dia das empresas e nos relacionamentos entre as pessoas. Muitos que não têm objetivos bem definidos na vida perderam a noção do tempo e perderam o foco até do que fazem na sua função, estando disponíveis mentalmente apenas para o que “tem de ser” e nem sempre para o que “deve ser”.

As empresas, as organizações de uma maneira geral, terão de apostar mais na formação comportamental dos seus colaboradores, em ferramentas como as que a PNL (programação neurolinguística) disponibiliza, e que permitam às pessoas gerir com eficácia as emoções, e se necessário alterá-las, que permitam que saibam definir objetivos de curto, mas também de médio e longo prazo, que aprendam a treinar a sua “fé”, no sentido de ação e crença positiva, para que possamos ter pessoas preparadas para o que o futuro nos reserva.

Quando vemos campeões como um Cristiano Ronaldo, que são fontes de inspiração para milhões de pessoas, vemos seres humanos que são fortes mentalmente e que sabem aliar as suas capacidades técnicas às suas forças mentais. Quantos casos conhecemos de colegas que são brilhantes tecnicamente, mas infelizes? Quantas pessoas conhecemos que vivem imersas em problemas de todo o tipo e grande parte deles porque “não têm cabeça”, como diz o povo, acabam de receber lições de vida de pessoas sábias que sabem aceitar, desejar, sonhar e trabalhar com afinco, nunca deixando que os problemas sejam maiores do que um ser humano?

Com as alterações climáticas, com a desestruturação das famílias, com o agudizar das tensões entre blocos, com a ”guerra surda económica”, o mundo que se avizinha será desafiador e vai precisar de seres humanos mais preparados mentalmente para serem fortes e resilientes, porque não há campeões de mente fraca.


Por Adelino Cunha, CEO da Solfut – I HAVE THE POWER

[Este artigo foi publicado na Aprender Magazine de outubro, que pode ser lida na íntegra aqui.]

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