O psicólogo e business coach Andrew Shea foi um dos convidados da conferência anual da International Coach Federation Portugal, ou ICF Portugal, a dependência nacional que se assume como a maior organização de coaches profissionais, com mais de 43 mil membros e quase 30 mil coaches credenciados a nível mundial distribuídos por 143 representações locais em 80 países e territórios.

O facilitador em desenvolvimento de liderança, com experiência em empresas da Fortune 500, como a BMW, onde começou a sua carreira há 20 anos, falou sobre como ajudar as várias gerações a trabalharem juntas nas organizações: a geração X, aqueles que nasceram antes de 1980 e têm hoje entre 40-55; a geração Y ou Millennials, aqueles que nasceram entre 1984 e 1996 e têm hoje entre 24-39; e a geração Z, aqueles que nasceram depois de 1997 e têm entre 8 e 23 anos.
A primeira lição que deixou é que “os líderes juniores já não são selecionados por líderes seniores.” A forma de selecionar os líderes juniores já não é pelo método tradicional de entrevista feita por líderes seniores, mas por vários outros elementos da empresa.
Shea deu o exemplo de um call center na Irlanda, país onde reside, em que juntam 10 pessoas numa sala para selecionarem o próximo líder da equipa. Consoante o impacto do pitch de cada candidato, o grupo vota e escolhe o seu próximo líder, aquela pessoa que escolheu seguir.
Depois, tipicamente, quando o jovem está na liderança usa um estilo com base no serviço, “coloca-se no papel de facilitador, de coach, e não daquele que está no topo”, destaca o orador.
Outra característica dos líderes jovens dos nossos dias é que a liderança não é vista como permanente. Podem estar na gestão da equipa por um ano e depois mudar porque não querem ter sempre o stress inerente à posição de líder. “A ideia de liderança permanente está desatualizada.” Quando quiserem voltar ao cargo de liderança, o processo de votação por 10 pessoas dispostas a segui-lo recomeça.
Estamos habituados a promover aqueles que acumularam ao longo do tempo um conhecimento especializado. Mas, na verdade, quando chega ao topo enquanto líder esse profissional perde alguma expertise, porque fica limitado a ser promovido nessa área em que é especialista.
A tendência atual é de promover pessoas que podem não vir da área onde irão exercer a liderança, mas de diferentes funções da empresa. Isto porque a liderança deixou de ser liderar uma equipa de especialistas, mas liderar um grupo de pessoas multifuncional com quem se estabelece uma ligação, não pelo canal da expertise, mas pela vertente do “serviço”, de as ajudar a fazerem o que têm de fazer e a chegarem onde querem.
Com os mais jovens, as ordens não podem chegar como se estivessem no exército. Perante um pedido de um cliente, o líder sénior explica à equipa onde se quer chegar, quais os resultados pretendidos, mas como se vai chegar a esses resultados fica nas mãos da equipa. Assim, o líder não distribui tarefas, diz o que quer que seja feito e qual o orçamento para o fazer. A definição de quem faz o quê é da inteira responsabilidade da equipa. Cada elemento oferece-se para completar a tarefa para a qual se sente preparado e motivado.
A diferença, diz o business coach irlandês, é que a antiga geração gosta de conflito e a nova geração de líderes gosta de harmonia, exercendo a sua posição sem levantar a voz.
Criada em 2007, a ICF Portugal promove a prática profissional de coaching no nosso país de acordo com as normas internacionais da ICF, e, em agosto 2020, contava com mais de 200 membros.
