Universidades: 70% dos reitores em 90 países acreditam em modelos híbridos

A pandemia vai ter um forte impacto económico, tanto no que diz respeito às matrículas como às necessidades acrescidas de infraestruturas das universidades, destaca um inquérito do banco Santander, que, em conjunto com a Associação Internacional de Presidentes Universitários (IAUP), ouviu mais de 700 reitores universitários de 90 países, onde se incluiu Portugal, sobre os efeitos da pandemia nas instituições de ensino superior.

Reitores e diretores de universidades públicas e privadas assinalam a pressão que a pandemia tem colocado no modelo financeiro das instituições e na atração de novos estudantes, destacando o potencial existente de mudanças nos modelos educativos e na educação internacional em resposta aos desafios gerados pela COVID-19.

Neste sentido, 70% das instituições esperam mesmo que os seus programas educativos sejam híbridos – presenciais e online – a partir de agora. Os reitores veem o futuro académico com uma clara tendência para modelos de formação que combinem online (67%), híbridos (70%) e presenciais (71%) ou métodos alternativos (66%).

Mais de 73% das instituições antecipam quebras futuras nos seus rendimentos, enquanto 59% esperam reduções na inscrição de estudantes e 49% preveem novos desafios na angariação de fundos, um padrão visível em todas as regiões onde o inquérito foi realizado.

Ao mesmo tempo, 45% dos dirigentes académicos preveem a necessidade de aumentar o apoio financeiro a alunos e de um maior investimento em infraestruturas relacionadas com a capacidade tecnológica das universidades, sendo também indispensável promover o desenvolvimento de programas de educação contínua, assim como o apoio à empregabilidade dos estudantes e ao empreendedorismo.

Outra das conclusões deste estudo mostra que os reitores parecem estar focados num amplo modelo de internacionalização, expandindo os seus programas de “mobilidade virtual” e sublinhando a importância de parcerias entre instituições de ensino.

Se na América e na Europa, a prioridade é uma maior necessidade de apoio financeiro aos estudantes, para os líderes das universidades da Ásia e da Oceânia está mais focada no investimento em infraestruturas e, em África e no Médio Oriente, em programas que promovam a empregabilidade de estudantes e licenciados.

“Ultrapassado o primeiro momento de resposta de emergência à pandemia, estamos a observar os impactos duradouros que terá nas instituições de todo o mundo”, diz Fernando León García, presidente da International Association of University Presidents (IAUP) e reitor do Sistema Universitário CETYS.

“Além das pressões geradas sobre temas como a angariação de fundos e a inscrição de estudantes, os efeitos da pandemia alteraram a forma como as instituições de ensino superior colaboram com a indústria, sugerindo ainda mudanças relevantes nas tendências do ensino internacional”, acrescentou o responsável.

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