Paradoxos: Gestão da tensão gera vantagens competitivas

As organizações podem ganhar vantagens competitivas pela forma como equilibram o jogo de forças. Por vezes, as tensões entre duas forças em confronto geram algo de novo. A proposta é de Miguel Pina e Cunha, professor na Nova SBE, na 2.ª edição da “Leading People – International HR Conference”, que tem vindo a estudar o papel dos paradoxos na gestão das organizações e lançou, em janeiro, com Arménio Rego (LEAD.Lab, Católica Porto Business School), o livro “Paradoxos da Liderança” (Edições Sílabo).


Mas o que é um paradoxo e como se distingue de dilema? Porque é que algumas organizações têm sido bem-sucedidas gerindo de forma paradoxal, como o caso do fabricante de automóveis Toyota, por exemplo, que é ao mesmo tempo Taylorista e anti Taylorista, gerindo pela repetição sem aceitar a receita anterior para inovar continuamente.

Há três ingredientes essenciais num paradoxo, segundo Miguel Pina e Cunha. O primeiro é a oposição entre duas forças em confronto. Por exemplo, nesta pandemia foi necessário saber proteger a saúde das pessoas e proteger a economia porque proteger a economia é também proteger a saúde. O segundo é a interdependência, na medida em que só se compreende uma força se se for capaz de compreender a outra. Um elemento define o outro. E o terceiro é a persistência da tensão ao longo do tempo.

Mas há tensões que não são paradoxais. Por exemplo, a tensão entre estabilidade e a mudança não pode ser resolvida. O que é uma coisa boa, pois precisamos de ambas. Há problemas que não precisam de ser resolvidos, mas que podem ser geridos. Uma boa forma de pensar, diz Miguel Pina e Cunha, é que “é bom preservar esta tensão porque ajuda o sistema a florescer.”

Nem tudo são paradoxos. Podem ser apenas escolhas ou dilemas. Por exemplo, quando uma empresa decide que quer comprar determinado serviço está a tomar uma decisão – “pode ser um dilema, mas não um paradoxo a partir do momento em que decidimos ir por um caminho e não por outro, deixando um desses caminhos para trás”, explica o professor da Nova SBE.

O caso da democracia e das nossas vidas

A democracia pode ser vista a partir de uma lente paradoxal porque “os paradoxos são feitos de tensão e oposição de forças contrárias”, ou seja, um conjunto de pessoas e organizações com ideia distintas que precisa de equilibrar a tensão que resulta dessa diferença.

Na verdade, defende Miguel Pina e Cunha, a existência de tensão é sinal de vitalidade do sistema. Nas nossas vidas encontramos paradoxos na capacidade de conviver com a diferença. “Não é algo de esotérico ou difícil, mas algo com que vivemos sem darmos por isso.” O confronto pode ser coisa boa: “como podemos enriquecer a nossa perspetiva incluindo a perspetiva do outro?”, questiona Pina e Cunha, lançando o desafio.

A “Leading People – International HR Conference” ocorreu a semana passada e pode ser vista na “Líder TV”, na posição 165 da grelha do MEO, e na SAPO Vídeos.

A intervenção de Miguel Pina e Cunha pode ainda ser vista aqui:

 

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