Quando falamos em revoluções falamos em mudanças abruptas que são tão incisivas que provocam impactos desde os níveis mais micro até aos níveis mais macro. Afetam campos como os de natureza científico-tecnológica, económicos, bem como comportamentais. É como se até ao momento, antes da revolução iniciar, todos fossemos participantes de uma história comum e estável para quando do início da revolução se mudar a página, e, todos, começarmos a agir de forma completamente distinta da página anterior a que estávamos tão habituados. A revolução é o “virar da página”!
Podemos falar de quatro revoluções industriais que afetaram/afetam o trabalho:
1.ª Revolução Industrial: Iniciada no Reino Unido nos finais do século XVIII com o desenvolvimento da máquina a vapor, veio permitir a libertação do homem e o uso de animais dos trabalhos mais pesados. O surgimento de fábricas mecanizadas onde a sua principal mão de obra era constituída por pessoas que não sabiam ler nem escrever e que eram oriundas, na sua maioria, dos espaços rurais. Verificou-se um aumento drástico da riqueza per capita.
2.ª Revolução Industrial: Nos meados do século XIX com as mudanças das máquinas a vapor para máquinas elétricas, graças à junção da eletricidade com o magnetismo (princípio do dínamo). Foi o dínamo que veio permitir a iluminação das nossas ruas, das nossas cidades, e, se estendeu a todo o lado, inclusive, na alimentação das máquinas com energia elétrica.
3.ª Revolução Industrial: Nos finais da II Grande Guerra Mundial, com a invenção do transístor, que permitiu o aparecimento de computadores de dimensão inferior aos anteriores. De então para cá, o avanço da eletrónica tem sido exponencial, com o aparecimento dos computadores pessoais no início da década de 1980 e da World Wide Web (WWW) no início da década de 1990.
4.ª Revolução Industrial: Hoje, fala-se da “Indústria 4.0”, que consistirá não apenas no uso dos robôs, da “Internet das Coisas”, da “Computação na Nuvem”, da impressão 3D, da realidade virtual ou aumentada, da big data, mas também, da Inteligência Artificial. Os desafios que nos são lançados são grandes e múltiplos. O maior deles: que papel fica designado para os seres humanos nas nossas organizações?
O homem nas três primeiras revoluções industriais sempre se reinventou, foi-se adaptando às novas circunstâncias. No século XIX o trabalho das fábricas veio substituir grande parte do trabalho agrícola. No século XX os colarinhos brancos vieram substituir os colarinhos azuis. E agora, inícios do século XXI, como nos vamos adaptar?

Por Ana Pinto, Professora Universitária e Consultora em Recursos Humanos
