Como um mau colaborador pode corromper uma equipa inteira

Uma maçã podre, diz o ditado, pode arruinar o cacho. O mesmo acontece com os colaboradores. Uma pesquisa da Harvard Business Review sobre o contágio na fraude levada a cabo por funcionários revelou que mesmo os funcionários mais honestos têm maior probabilidade de ter uma má conduta se trabalharem ao lado de um indivíduo desonesto. O contrário já é raro acontecer: os funcionários honestos não levam os funcionários desonestos a fazerem escolhas melhores. Entre colegas de trabalho, parece mais fácil aprender o mau comportamento do que o bom.

Para os gestores, é importante perceber que os custos de um funcionário problemático vão além dos efeitos diretos das suas ações – o mau comportamento de um funcionário transborda para o comportamento de outros funcionários. Ao subestimar esses efeitos colaterais, alguns funcionários tóxicos podem infetar uma cultura corporativa saudável.

Compreender o quão contagioso é o mau comportamento era o objetivo dos autores Stephen Dimmock Professor associado de Finanças na Nanyang Business School da Nanyang Technological University em Singapura, e William C. Gerken, Professor assistente do Gatton College of Business and Economics da University of Kentucky.

Assim, examinaram os efeitos dos pares na conduta indevida de consultores financeiros, com foco nas fusões entre empresas de consultoria financeira, cada uma com várias filiais. Nessas fusões, os consultores financeiros juntavam-se a novos colegas de trabalho de uma das filiais da outra empresa, expondo-os a novas ideias e comportamentos. A má conduta foi definida por meio de reclamações de clientes.

“Descobrimos que os consultores financeiros têm 37% mais probabilidade de cometer má conduta se encontrarem um novo colega com histórico de má conduta. Esse resultado implica que a má conduta tem um multiplicador social de 1,59 – o que significa que, em média, cada caso de má conduta resulta em 0,59 casos adicionais de má conduta por efeito de pares.”

Stephen Dimmock e William C. Gerken acreditam que entender o que leva os colegas de trabalho a fazerem escolhas semelhantes sobre a possibilidade de cometer má conduta pode orientar os gestores na prevenção da má conduta. E sugerem que o conhecimento e as normas sociais relacionadas com a má conduta sejam transmitidos por meio de canais informais, como, por exemplo, através de interações sociais.

De modo mais geral, dizem, “entender por que os colegas de trabalho se comportam de maneira semelhante tem implicações importantes para a compreensão de como a cultura corporativa surge e como os gestores podem moldá-la.”

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