
Um dos momentos que mais marcou Ricardo Parreira, CEO da PHC Software, nesta crise que vivemos foi quando, numa quinta-feira de março, teve de decidir se mandava para casa todas as pessoas, mesmo antes da declaração do Estado de Emergência pelo Governo. A PHC já tinha uma política de teletrabalho, mas nada como a realidade para saber se funcionava ou não.
Depois de uma conversa com o sócio [Miguel Capelão], a decisão estava tomada, iriam todos para casa. O resultado viu-se nos níveis de envolvimento das pessoas no projeto da empresa: “Hoje, comparando com o início da pandemia, temos o maior nível de engagement que alguma vez tivemos”, disse na mesa redonda “The Challenge of Remote Leadership”, moderada por Luís Maia, Jornalista, durante a 2.ª edição da “Leading People – International HR Conference”, evento que aconteceu ontem e que pode ser visto na “Líder TV“, posição 165 da grelha do MEO, e na SAPO Vídeos.

Ricardo Parreira aprendeu a analisar os três tipos de perfis de pessoas no que toca a trabalhar desde casa: os workaholics, cujo risco é entrarem em esgotamento por tanto trabalharem; os reclusos, aquelas pessoas que quanto menos interação social existir melhor, se não tiverem de ligar a câmara ficam ainda mais satisfeitos e que, por isso, arriscam perder a conexão com a equipa; e os sonhadores que, estando em casa, distraem-se com tudo.

Um inquérito da PHC veio mostrar que as pessoas acham que estão mais produtivas. “Quem trabalhava bem continua a trabalhar bem, mas temos de atuar em termos de liderança junto destes três perfis para não sofrerem com problemas de saúde mental”, defende Ricardo Parreira.
Manuela Gomes, Chief Marketing Officer da Capgemini Portugal, destacou o valor da solidariedade coletiva e individual. A forma como se conseguiram organizar na Capgemini para dar resposta a colegas com filhos pequenos, por exemplo, foi um ponto alto segundo a responsável. Todos os dias durante o confinamento a empresa realizou reuniões matinais para saberem uns dos outros.

Para Clara Trindade, Diretora de Recursos Humanos da L’Oréal Portugal, “ser forte como uma pedra é menos importante do que ser água que toma a forma das coisas por onde passa.” Com esta pandemia a responsável aprendeu que mais do que querer ter tudo sobre controlo, o importante é assumir que não se vai estar em controlo de tudo, mas que saberemos resolver as situações quando for preciso.
Na L’Oréal as pessoas mostram-se mais interessadas em trabalhar nas instalações da empresa do que de forma remota. “O envolvimento, o sentido de missão é mais vivo no escritório quando estamos juntos”, defende Clara Trindade, citando estudos que mostram que a partir de 40% de trabalho remoto os níveis de engagement caem a pique. “É preciso encontrar o bom equilíbrio entre a boa dose de teletrabalho e o envolvimento com a organização.”
O “Leading People – International HR Conference” é uma iniciativa da Tema Central, do Lisbon Hub dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial e da Câmara Municipal de Cascais, com a parceria institucional da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, International Club of Portugal, APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas e da APESPE RH – Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos.
O evento conta ainda com o apoio da Capgemini, Multipessoal, Axians, Tabaqueira, Multitempo, Consulting House, Sofia Calheiros & Associates, Turismo de Portugal, ASUS, Holmes Place, Lift, FCB Lisboa, Made2web e Carla Rocha Communication Training.
Assista à conversa aqui:
