A transformação através da Tecnologia é ainda mais crítica nos dias de hoje; o Grupo Capgemini garante estar munido de ativos para alavancar e fazer a diferença neste contexto. Stephan Paolini, vice-presidente executivo e diretor de Talento e Aprendizagem do Grupo, vê nas lideranças ágeis respostas à incerteza, adaptação e força de espírito.

Estes têm sido tempos bastante frenéticos para Stephan e a sua equipa de Talento e Aprendizagem. Os dias de trabalho viraram noites (demasiado) longas. Um verdadeiro malabarismo com projetos em seis fusos horários.
O vice-presidente executivo partilha com a Líder o «não desejável» recorde de 57 telefonemas numa semana e até de catorze num único dia. «Mas estou impressionado com a resiliência das pessoas e a vontade coletiva de ajudar, dar suporte e fazer. Isto levou – por exemplo – ao lançamento acelerado da Next, a nossa Plataforma de Aprendizagem Virtual, sete semanas antes do planeado», conta visivelmente orgulhoso do trabalho desenvolvido. «É uma conquista extraordinária da equipa para um bem maior em condições complicadas. Todos os colaboradores da Capgemini têm agora as melhores bibliotecas digitais do mundo, disponíveis 24/7 na ponta dos seus dedos, através de todos os aparelhos e totalmente personalizáveis», detalha.
De facto, o momento atual é extremamente desafiante, requer empresas ágeis e existem muitas lições que os líderes podem retirar. Stephan Paolini esteve no palco da Leadership Summit Portugal no dia 7 de outubro para nos falar sobre isto mesmo.
São os tempos de hoje facilitadores de lideranças ágeis?
Absolutamente. Todos os períodos desafiantes dão lugar à inovação, evolução e oportunidades. Cabe a todos nós identificar as direções e alavancas para alinhar e coordenar os nossos esforços para aquilo que se está a tornar o “novo normal”. A diferença é que a COVID é um evento à escala mundial num período muito condensado (e ainda não acabou). Portanto, os impactos – e as oportunidades – estão a condicionar e o tamanho do Grupo, o alcance e os domínios de negócios do Grupo estão a posicionar-nos muito bem para fazer o melhor neste período. A transformação através da tecnologia é ainda mais crítica do que antes e nós temos ativos extraordinários para alavancar e fazer a diferença para os nossos clientes e para as nossas pessoas neste contexto. Acredito que a “Liderança Ágil” é uma das respostas à incerteza, necessidade de adaptação e força de espírito.
O que diria que esta crise pandémica trouxe ao mundo para o bem e para o mal?
O pior: as nossas economias mostraram a sua rápida e imprevisível fragilidade devido a interdependências, por vezes enganosas ou exageradas. Temos de reaprender proximidade e foco local. E isso irá levar algum tempo. O melhor: acelerámos o movimento de novas formas de trabalhar, e talvez de viver? Estamos a aprender – todos e de uma forma mais rígida do que o necessário – as possibilidades de um mundo mais flexível. Isto é provavelmente o início e os historiadores irão descrever este período como uma reviravolta nas economias industrializadas. Temos todos de aprendermais rápido do que aquilo que gostávamos para o nosso conforto!

O que devemos temer mais nestes tempos?
Um abrandamento na economia é sempre um período mais difícil para as empresas e pessoas… Por isso, temos de lutar por engagement, porque nada é impossível quando as nossas equipas estão totalmente comprometidas. Temos tantos ativos, profissionais, experiência, paixão por todo o Grupo, que podemos alcançar o impossível, como temos demonstrado durante os últimos meses. Imobilidade é o pior erro! No entanto, aquilo que temo é um país a decidir unilateralmente fechar-se para o mundo, encerrando fronteiras e a evitar trocas comerciais. A Humanidade é resiliente e iremos encontrar soluções se não pararmos de tentar.
Como é que está a sua empresa neste “novo normal”? E como é que a Capgemini ajuda outras empresas?
Colocámos 95% dos nossos colaboradores em quase cinquenta geografias em trabalho remoto em seis semanas! Isto é uma conquista fantástica e ainda operacional. Estamos a entregar nestas circunstâncias e “muito bem”, diria eu. E estamos, neste momento, a identificar as condições à volta das novas formas sustentáveis de trabalhar – baseadas em lições aprendidas no período pelo qual estamos todos a passar –, que, acredito, irá ser bastante inspiracional no equilíbrio entre negócio e os benefícios das pessoas. E lançámos várias iniciativas durante o confinamento no nosso ecossistema para dar suporte a várias situações da perspetiva de negócio (adaptação das condições de entrega aos requisitos de múltiplos clientes); para as nações (uma app de rastreamento de contactos de COVID); ou pessoas (entrega ao domicílio de abastecimentos para famílias carenciadas/ apoio hospitalar…). Numerosas ações que demonstram novamente a resiliência e dedicação genuína das nossas equipas.
Se pudesse identificar dois ou três líderes que merecem atenção pela sua performance excecional nesta fase turbulenta, quais seriam? E quais são as razões?
Não irei mencionar modelos internos a seguir, isto tem sido bastante visível. Externamente, de forma interessante, alguns comportamentos têm vindo de pessoas bastante diferentes de todo o mundo como a doação de máscaras para mais de cem países por parte de Jack Ma (antigo CEO da Alibaba), a contínua resiliência de Anthony Fauci (médico conselheiro da Casa Branca, dos Estados Unidos da América) confrontado com a postura inacreditável do seu “chefe”, e as medidas preventivas tomadas por Angela Merkel (Chanceler da Alemanha), apesar da descrença da opinião alemã. A primeira ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tem sido também extraordinária com a sua calma, determinação e pragmatismo. Todos eles partilham a mesma forma de pensar: a vontade de agir e ajudar, qualquer que seja a sua posição, função… e não se gabarem disso. Isso é liderança!
Que impressões tem da liderança em Portugal?
Portugal é um país dinâmico e tem ultrapassado imensos desafios, mesmo em períodos recentes. Tenho visto grandes conquistas na perspetiva das empresas e pessoas, e a paixão é um motor de desenvolvimento local! Por isso, continuem!
Por TitiAna Amorim Barroso
[Para ler a entrevista na íntegra consulte a edição de outubro de 2020 da revista Líder]
(Re)veja ainda a intervenção de Stephan Paolini na Leadership Summit Portugal:
