Na corrida ao tratamento da COVID-19 com anticorpos, os cientistas procuram soluções melhores e mais baratas. É neste contexto que uma equipa de investigadores sueca imunizou uma alpaca chamada Tyson com proteínas do coronavírus e isolaram os nanocorpos que produziu.

Os anticorpos são um componente-chave da resposta imune natural do corpo ao SARS-CoV-2 e os investigadores procuram desenvolver terapias que aproveitem a sua capacidade de se ligar diretamente às proteínas virais e impedir a replicação do vírus.
Os laboratórios Regeneron e Eli Lilly em Indianápolis, em Indiana, lideram a corrida ao desenvolvimento de tratamentos com anticorpos contra COVID-19. A principal esperança é que este tipo de tratamento possa impedir a COVID-19 leve de se tornar grave. Apesar dos avanços, uma dificuldade está no fato dos anticorpos serem caros e difíceis de desenvolver.
Gerald McInerney, investigador no Instituto Karolinska em Estocolmo e a sua equipa está a tentar desenvolver pequenas moléculas semelhantes a anticorpos chamadas nanocorpos, com base num tipo de anticorpo produzido naturalmente por alguns camelídeos, incluindo lamas e alpacas.
O que McInerney fez foi isolar um nanocorpo contra uma proteína SARS-CoV-2 crucial chamada Spike de uma alpaca chamada Tyson. O grupo desenvolveu o anticorpo para melhorar a sua atividade, estabilidade e probabilidade de funcionar em pessoas, mas ainda não o testaram em animais.
A revista Nature explica que os nanocorpos são mais fáceis de fazer e muitas vezes podem ser produzidos em células bacterianas que são muito mais baratas de fazer crescer e manter do que as células de mamíferos necessárias para a produção normal de anticorpos.
No ano passado, a Food and Drug Administration- FDA aprovou o primeiro nanocorpo terapêutico, chamado Caplacizumab, num tratamento para uma doença rara de coagulação. Saiba mais aqui. Mas a tecnologia ainda é relativamente nova e os tratamentos com nanocorpos COVID-19 seguem os anticorpos convencionais.
Alguns estudiosos desta matéria esperam desenvolver nanocorpos que possam ser aerossolizados e inalados, para proteger diretamente os principais locais de infecção por coronavírus: o nariz e os pulmões.
A Novamab Biopharmaceuticals em Xangai, na China, começou por desenvolver nanocorpos inalados para tratar a asma, mas mudou para o desenvolvimento de nanocorpos COVID-19. A empresa agora está à procura de parceiros internacionais –
especialmente em regiões onde a COVID-19 é predominante – para conseguir passar para os testes clínicos, diz Yakun Wan, fundador e diretor executivo da empresa.
O bioquímico Peter Walter, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, espera que a abordagem inalável permita que
tais nanocorpos sejam eficazes em doses muito menores do que as necessárias para os anticorpos padrão, que são injetados. “A previsão é que seja usado como spray profilático antes de uma pessoa entrar num avião ou ir a uma festa”, por exemplo, diz Walter, cujo trabalho atual é sobre um desses nanocorpos.
“Estamos muito longe” de levar esses nanocorpos para a clínica, diz o biofísico Raymond Owens da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Mas estou cautelosamente otimista.”
