Estes tempos têm ajudado a perceber que não vamos a lado nenhum sozinhos, e são as lideranças que devem ter uma clara noção disso mesmo. Na Fundação Obama o lema “Yes, We Can!”, que levou Barack Obama ao poder, ainda alimenta a esperança e motiva todos na sua missão de tornar o mundo melhor através do investimento no desenvolvimento de lideranças.
A Líder falou com David Simas, CEO da Fundação, e deixa-lhe aqui o retrato do que pensa o líder de ascendência portuguesa, que está a dar o seu melhor nos EUA. Entre muitas iniciativas, o Obama Network foi ativado para se estabelecerem contactos e apoios especializados às lideranças de comunidades espalhadas pelo mundo.

Como está a Fundação Obama a encarar os tempos de pandemia que vivemos?
Este é um momento de sofrimento generalizado. O vírus alterou rotinas, hábitos, a vida de trabalho e qualquer sentido de “normalidade” que tínhamos antes. Neste sentido, todos estamos vulneráveis. Todos estamos afetados, embora algumas comunidades mais do que outras. Este é um momento de experiência partilhada onde vemos claramente como estamos todos conectados e interligados. Na Fundação Obama, enfatizamos o facto de que cada indivíduo tem dignidade e valor. Afirmamos e acreditamos que cada indivíduo é poderoso e deve ser respeitado. Mas também enfatizamos que nenhuma pessoa pode realmente agir sozinha. Mesmo a pessoa mais “poderosa” depende de outras, numa comunidade. Portanto, para este “momento de pandemia” é essencial que entremos em ação, mas com o conhecimento prévio de que estamos todos conectados e dependentes uns dos outros. Como o Presidente Obama disse muitas vezes, a palavra “nós” é uma das palavras mais poderosas na Língua inglesa. Essa é, certamente, a palavra que hoje mais precisamos de usar. “… para este «momento de pandemia» é essencial que entremos em ação, mas com o conhecimento prévio de que estamos todos conectados e dependentes uns dos outros.”
Quais têm sido os maiores desafios na América com a mortalidade a níveis tão altos?
O facto de o nosso sistema de Saúde ser federalista e fragmentado, e também a pandemia com a alta mortalidade dela resultante, fez com que aquele sistema de Saúde fosse fortemente impactado nas comunidades de todo o país. Não houve uma resposta central nem uma alocação de recursos alinhada com as necessidades. Para além dos problemas sistémicos, o impacto pessoal das mortes nas famílias, bairros e comunidades foi profundo. As imagens de entes queridos à conversa com um membro da família à beira da morte, através de um iPhone na mão de um médico, ficaram na minha memória, assim como na de milhões de americanos.
Este é o tempo para grandes líderes? Que género de líderes precisamos?
Sim. O momento clama por líderes apaixonados. Pessoas que percebam que a liderança não é apenas dar ordens. Liderança, em momentos como este, requer ouvir as comunidades, comunicar com especialistas e profissionais a todos os níveis, e pôr de lado qualquer sentido de ego, orgulho e vaidade que possam obstruir alguma decisão que tenha de ser tomada. Liderança é ver o sofrimento e focar-se exclusivamente em fazer o que é necessário para remover esse sofrimento, sem consideração por dogmas, ideologias ou qualquer sentido de ego.
Que iniciativas tomou na Fundação Obama para ajudar líderes a vencer este desafio?
Ativámos a Obama Network e expusemos os líderes nas nossas comunidades aos especialistas e líderes proeminentes que navegaram, e continuam a navegar, nestes tempos difíceis. Isto está em consonância com a nossa visão de que nenhuma pessoa pode liderar sozinha. Quando tomamos este universo de líderes e os conectamos entre si, todos saem favorecidos. Quando destacamos uma estratégia ou tática eficaz que um líder está a adotar e a partilhamos com os outros, todos enriquecem. Quando usamos histórias para lembrar constantemente os líderes dos valores subjacentes de compaixão, integridade e abnegação que momentos como este exigem, todos são enriquecidos.
Que slogans tem em mente que dão força para fazer frente a esta crise de saúde e económica?
Yes, We Can (sim, nós conseguimos).
Por Catarina G. Barosa
Fotos Fundação Obama
[A entrevista pode ser lido na íntegra na edição de outubro, em banca, da revista Líder]
