Com sete estados por apurar, Joe Biden precisa de garantir menos delegados, mas Donald Trump vai à frente nos Estados. Neste momento, Joe Biden tem garantidos 238 delegados ao Colégio Eleitoral e Donald Trump conquistou 213. Para assegurarem uma maioria, têm de conseguir 270 delegados.
Como é que os candidatos podem contestar os resultados? E por que alguns votos contam mais do que outros? A BBC respondeu a algumas questões essenciais sobre as eleições nos EUA que estão a decorrer.
Donald Trump pode contestar os resultados das eleições?
Sim. Tanto a campanha de Trump como de Biden disseram que já estão a preparar as disputas judiciais após a eleição. Na verdade, têm o direito de exigir uma recontagem na maioria dos Estados, geralmente se o resultado for muito próximo. Houve um aumento no número de votos por correspondência este ano, e também é possível que a validade dessa forma de voto seja contestada no tribunal.
As ações judiciais podem conseguir chegar ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos – a autoridade máxima nos Estados Unidos. O mesmo aconteceu em 2000, quando o Supremo Tribunal suspendeu uma recontagem na Flórida e decidiu a favor do republicano George W Bush, que se tornou presidente.
Quando teremos um resultado e quando é que pode ser contestado?
A votação já está encerrada, mas a disputa pela Casa Branca entre Donald Trump e Joe Biden ainda não está resolvida. Pode acontecer não se obter um resultado na noite das eleições. Milhões de americanos votaram pelo correio devido ao coronavírus, o que significa que é provável que haja um atraso na contagem dos votos. Os Estados encerram a votação em momentos diferentes. A contagem total nunca é concluída na noite da eleição – o que é normal, mas geralmente há votos suficientes para confirmar o vencedor.
O que acontece se tivermos um empate?
Existem 538 votos eleitorais em disputa, com um número fixo de eleitores representando cada Estado com base no tamanho de sua população. Isto significa que um empate é possível com 269 votos cada, embora muito improvável. Se nenhum candidato obtiver a maioria dos votos no colégio eleitoral, cabe ao Congresso dos Estados Unidos decidir.
Nesse caso, seriam os parlamentares eleitos nas eleições de 2020 que assumiriam essa responsabilidade. A Câmara dos Representantes votaria para decidir o Presidente, com cada delegação estadual a deter um voto – é necessária uma maioria de 26 para que um candidato se torne Presidente. O Senado escolheria o vice-presidente através do voto de todos os 100 senadores.
Que influência tem o voto nacional na forma como o colégio eleitoral vota?
Os Presidentes dos EUA não são decididos pelo voto popular nacional, mas pela vitória em um número suficiente de Estados. O vencedor em cada Estado recebe o apoio de vários eleitores com base na sua população.
Esses eleitores reúnem-se algumas semanas após o dia da votação – formando o colégio eleitoral – para votarem a nomeação oficial do próximo Presidente. Para ganhar a Casa Branca são necessários 270 votos eleitorais.
Assim, o Presidente dos Estados Unidos não é escolhido diretamente pelos eleitores, mas pelo colégio eleitoral.
O que faz os votos de alguns estados valerem mais do que outros?
Os candidatos tendem a fazer campanha em Estados onde o resultado é incerto – é por isso que as pessoas dizem que os votos nesses estados “contam mais”. Esses lugares são conhecidos como campos de batalha ou estados decisivos.
O sistema eleitoral dos EUA pressupõe que em todos os Estados, exceto em dois, a margem de vitória não importa, pois quem obtiver a maioria dos votos ganha todos os votos eleitorais oferecidos nesse Estado.
Em Estados que “quase garantem o voto”, como a Califórnia para o democrata ou Alabama para o republicano, os candidatos sentem-se menos incentivados a fazerem campanha nesses Estados.
O que acontece em Nebraska e Maine, onde o colégio eleitoral funciona de maneira diferente?
Maine e Nebraska são os únicos Estados que dividem os votos eleitorais. Em todos os outros Estados, o vencedor ganha tudo – seja um ou um milhão de votos. Em vez disso, Maine e Nebraska dividem os seus votos eleitorais – quatro e cinco, respetivamente – com base na parcela do voto popular que cada candidato recebe. Esses Estados alocam dois votos eleitorais para o vencedor em todo o estado e, em seguida, um voto para o vencedor em cada distrito eleitoral (dois no Maine e três no Nebraska).
