O novo paradigma da Formação

A nova normalidade que experienciamos veio acelerar, sem dúvida, uma mudança ao nível do paradigma da formação.

Durante a fase de confinamento, na impossibilidade de realização de formação presencial, a opção recaiu sobre a modalidade e-learning. Não obstante a incerteza do que o futuro nos reserva a nível global, é inquestionável que o digital assuma um papel ainda mais preponderante em todas as áreas. Percebe-se agora que a formação à distância, quando pautada por parâmetros de elevada qualidade, tem um potencial muito forte no processo de aprendizagem contínuo ao longo da vida.

Sendo a formação considerada um dos pilares fundamentais da Gestão de Recursos Humanos e o maior impulsionador do desenvolvimento pessoal e organizacional, neste processo de fusão do mundo físico com o digital, a formação à distância, em especial o e-learning, começou a fazer parte da linguagem digital mais utilizada pelas empresas como forma de desenvolvimento de competências.

A curva de aprendizagem no desenvolvimento de competências digitais sofreu um crescimento exponencial nunca antes visto no que concerne à modernização dos processos. No entanto, todas as grandes mudanças têm riscos inerentes e são necessários alguns cuidados para que as empresas possam fazer esta transição como um investimento e não como um gasto que não apresente os resultados pretendidos inicialmente. Para tal, deverá ser evitado que o processo de digitalização da formação tenha na sua base um cariz meramente tecnológico, deixando para segundo plano o mais importante que é a pedagogia.

Temos de ter inequivocamente presente que o mais importante num projeto de formação, seja dinamizado na vertente presencial ou na vertente à distância, passa por atingir o propósito para o qual foi concebido, pelo que jamais deveremos cair numa vertente excessivamente tecnicista e redutora da formação à distância, sob pena de transformarmos esta modalidade de formação numa “mercadoria” pouco atrativa e útil tendo em vista o seu último propósito.

Uma equipa interdisciplinar que alia as competências tecnológicas às competências pedagógicas/ andragógicas representa um equilíbrio de forças que permitirá à formação à distância ganhar um notável protagonismo. Jamais nos deveremos esquecer que estamos a conceber projetos que visam contribuir para o desenvolvimento dos nossos profissionais e que a modalidade e o mecanismo que mobilizamos para tal deve estar o mais humanizado possível.


Por Mafalda Costa Isaac, Partner da B-Training Consulting

[Este artigo foi publicado na Aprender Magazine de outubro, que pode ser lida na íntegra aqui.]

 

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