Criar sociedades mais interconectadas, atentas e sobretudo humanas

Sociedades mais pró-ativas e capazes de proporcionar claros aumentos de qualidade na vida dos cidadãos. Esta é a grande ambição da Schréder, a empresa de iluminação exterior e smart cities presente no mercado português desde 1956.

Inês Nascimento é a diretora de Recursos Humanos da Schréder Iluminação e da Schréder Hyperion. Tem a seu cargo os destinos de mais de 150 trabalhadores distribuídos por duas unidades fabris – uma de luminárias em Oeiras, e outra de colunas em Alverca – e os escritórios com a equipa comercial. Desde 2019, inclui também uma unidade de negócio, a Schréder Hyperion, que desenvolve soluções tecnológicas inovadoras no âmbito das smart cities de Portugal para todo o mundo e onde recrutou de raiz cinquenta pessoas.

Orgulha-se desde logo de contratar pessoas, e não competências, que se identificam com a cultura de empreendedorismo e entreajuda da empresa. Em entrevista à Líder, Inês Nascimento explica os ajustamentos constantes na organização desde março, devido à pandemia e as aprendizagens sucessivas que fizeram de si uma gestora mais atenta, resiliente e ágil.


«A maior aprendizagem é que, acima de tudo, as pessoas querem ver nos Recursos Humanos uma dimensão humana. Mais do que ter processos em vigor ou políticas abrangentes ou grandes projetos, querem sentir que podem contar connosco sempre que precisam e que essa abordagem é feita tendo em linha de conta as especificidades de cada equipa, mas igualmente de forma individualizada», esclarece. E mais, Inês está consciente que tem de ser flexível na estratégia de atuação, porque copiar o que resultou no passado não é solução.

Que impactos está a ter a pandemia no negócio da iluminação exterior e smart cities?
As áreas – iluminação exterior e smart cities – onde atuamos mantêm-se bastante dinâmicas apesar da pandemia. Obviamente sentimos algum desaceleramento do negócio, mas mais noutros mercados que não o português. As crises tendem a reforçar o investimento público e o nosso negócio é maioritariamente com entidades públicas, pelo que não é tão impactado (pelo menos no curto prazo) como outras indústrias. Continuamos ainda com um elevado número de projetos, embora conscientes do risco de uma desaceleração da economia mais pronunciada em 2021.

Será necessário reorganizar a empresa e os negócios?
Ajustamentos na organização têm sido uma constante, devido à natureza dinâmica da situação. Desde março que temos feito adaptações na empresa de acordo quer com as diretrizes legislativas, quer com as boas práticas de mercado, quer ainda com a situação específica da nossa empresa e das nossas pessoas em cada momento. A mesma adaptabilidade tem também sido necessária na ótica do negócio. Uma grande proximidade aos nossos clientes é parte integral do DNA da Schréder. Temos tentado manter e até reforçar essa proximidade, embora obviamente de forma menos física, devido à situação atual, que nos obriga a focar mais intensamente nas questões da saúde pública, bem como nas prioridades e necessidades específicas de cada cliente neste contexto tão particular.

Tiveram casos de COVID na empresa? Como geriram essa situação?
Tivemos alguns casos, mas felizmente sem gravidade. A gestão da situação foi feita momento a momento; obviamente que adotámos todas as medidas preventivas e a qualquer sinal ainda que remotamente suspeito ou qualquer indicação de que o colaborador estivesse próximo de uma possível fonte de contágio, seguimos todos os passos recomendados pela DGS, tentando sempre que possível ir ainda além dessas recomendações. Alguns exemplos: desinfeção diária de toda a fábrica, disponibilização e renovação bidiária de equipamento de higiene e segurança, desfasamento nas entradas e pausas, assegurar distância de segurança em toda a empresa através de marcações, separadores, etc. Digna de destaque é a medida que adotámos de disponibilizar transporte privado para os nossos colaboradores, evitando assim que tenham de recorrer aos transportes públicos. Não são medidas obviamente fáceis de tomar, pois obrigam a empresa a um esforço financeiro e organizacional suplementar, mas que é claramente compensado pelo reforço da segurança e saúde das nossas pessoas. Este esforço tem dado frutos, como é comprovado pelo facto de não termos neste momento qualquer colaborador infetado. Gostava de referir que ninguém foi infetado dentro da empresa – todos os casos foram situações que vieram de fora e que não chegaram a contaminar colegas graças à nossa rápida identificação da situação e respetiva resposta.

Anunciaram a suspensão temporária da produção em quatro das suas fábricas na Europa, onde se inclui a unidade portuguesa, para mitigar a propagação do vírus COVID-19. Que outras medidas foram implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
A suspensão decorreu apenas durante duas semanas para garantir que todas as medidas acima referidas fossem implementadas. Adicionalmente, assegurámos que as pessoas não entrassem todas nem saíssem todas ao mesmo tempo e o mesmo aconteceu nas pausas. Em relação às pessoas que trabalham mais nos escritórios, numa primeira fase assegurámos que poderiam fazer o trabalho a partir de casa. Para isso foi necessário em casos pontuais disponibilizar computador portátil e o acesso à internet. Por outro lado, decidimos transformar o risco da situação numa oportunidade de melhoria para a empresa, nomeadamente aprofundar a nossa “transformação digital”. Nesse sentido, reorganizámos algumas tarefas e responsabilidades, de modo a que possam ser feitas quase na sua totalidade a partir de casa. No caso da unidade de negócio da Hyperion o trabalho já estava organizado de forma a poder ser feito remotamente, até porque temos equipas noutros países. Nesse sentido, a transição foi um pouco mais suave e menos impactante. Obviamente que cada situação é única, pelo que trabalhámos individualmente com as pessoas para garantir que pudessem ser produtivas a partir de casa, mas, simultaneamente, respeitando as exigências familiares particulares de cada uma, tentando acompanhá-las do ponto de vista emocional numa situação que é incerta e, em certa medida, algo assustadora.

No ano passado, o grupo escolheu a universidade portuguesa para abrir a Schréder Hyperion, o centro de inovação dedicado às smart cities. Qual é o balanço?
Comemorámos recentemente o primeiro aniversário, a 12 de setembro de 2019 foi a inauguração oficial das nossas instalações no Campus da Nova SBE em Carcavelos. O balanço não podia ser mais positivo: recrutámos um grupo de quase cinquenta pessoas que, além de extremamente talentosas, partilham os mesmos valores que nós: são pessoas que, através do seu talento, querem desenvolver soluções que vão ter um impacto na vida de todos nós enquanto cidadãos e querem fazê-lo através do trabalho de equipa, do companheirismo, da amizade e do respeito pelo meio ambiente. Medimos mensalmente o engagement das equipas e posso dizer que os níveis estão bastante altos, mesmo em tempo de COVID. Note-se que, que quando começou o confinamento, quase todos estes colaboradores estavam há menos de seis meses na empresa. Continuamos unidos num propósito comum e acreditamos que o futuro é promissor, com o lançamento em breve de vários produtos novos no mercado.

A entrevista Powered by Egor pode ser lida na íntegra na edição de outubro, nas bancas.

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