Entrevistado pelo presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), Paulo Sardinha, o diretor de Recursos Humanos da transportadora aérea portuguesa TAP falou sobre as oportunidades geradas por esta pandemia de COVID-19; sobre o mundo que quer ajudar a construir hoje; a importância de derrubar muros e de procurar soluções de reset para em conjunto construirmos novas soluções; e da necessidade de sabermos criar uma verdadeira empatia uns com os outros.

Que mundo queremos ajudar a criar e deixar às gerações futuras, lançou Paulo Sardinha durante a Cimeira Lusófona de Liderança, um evento online que decorreu na semana passada ao longo de três dias. “Há uma palavra-chave que é reconectar, reconstruir. Mas o que temos de fazer é um reset, ou seja, aproveitar esta pandemia para derrubar os muros que formos construindo ao longo da vida”, disse Pedro Ramos, especialista em pessoas com mais de 20 anos como diretor de Recursos Humanos em grandes empresas.
Há líderes e liderados? A verdade é que atualmente não sabemos nada. A ideia de que o líder está em cima e o liderado em baixo é questionável, defende. “Hoje o desequilíbrio é total, temos de reconstruir”, diz, acrescentando que como não sabemos nada, o melhor que temos a fazer é algo muito simples: sermos empáticos.
E o que é isso da empatia? Muito simples: conseguirmo-nos pôr verdadeiramente no lugar do outro. “E o outro tanto é aquele que está hoje connosco e que vai entrar no mercado de trabalho, como aquele que está à procura de emprego, bem como quem está num trabalho, mas infelizmente vai ser despedido e vai ter de arranjar outro.”

Procurar um conjunto de novas soluções para velhos problemas, bem como novas formas de encontrar soluções para desafios que ainda não existem – é este o caminho na perspetiva do responsável, que é formado em Ciências da Educação e doutorado em Economia e Finanças Aplicadas às Empresas pela Universidad Rey Juan Carlos em Madrid.
E sobre a aprendizagem? Pedro Ramos é claro e está convicto de que temos de matar o conceito de training que conhecemos até agora e deixar de “obrigar as pessoas a ir para a escola.” Defende que temos de criar uma nova forma de learning, em que a pessoa seja o centro da sua aprendizagem e defina o que precisa de aprender. “Só assim podemos entregar mais valor à organização onde estamos inseridos.”
Estes tempos já nos fizeram aprender tantas coisas novas, a comunicar por plataformas de reunião online e a estarmos conectados, destaca, deixando uma sugestão aos responsáveis por equipas: “Há algo tão simples que os líderes podem fazer e que é entrar no Zoom ou no Teams e reunir com a equipa, por exemplo à sexta-feira, e perguntar: como estás? Não, a pergunta não se refere ao trabalho, aos projetos em curso, mas sim ao colaborador enquanto indivíduo, à sua saúde e à da sua família.”
Na sua opinião, temos de reaprender a estar à distância uns com os outros, a construir um mundo diferente. Derrubar muros e descobrir o que está além deles. “Para lá da beira da estrada pode estar um castelo lindo. Quem sabe se é maravilhoso e tudo pode passar a ser francamente melhor. Mas se não estiver lá continuaremos até encontrá-lo”, disse para terminar quem também é vice-presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas (APG), membro do Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), presidente dos Diretivos de Capital Humano (DCH Portugal) e conselheiro estratégico da revista Líder.
A Cimeira Lusófona de Liderança, que decorreu ao longo de três dias, de 16 a 18 de setembro, reuniu virtualmente mais de 20 líderes organizacionais e da sociedade civil e contou com a parceria da APG e da ABRH Brasil.
Texto Maria João Alexandre
