As alterações climáticas, a crise energética e a escassez de recursos são temas que marcam hoje a atualidade como nunca o fizeram. Cada vez mais, o mundo debruça-se sobre a sustentabilidade em áreas que permitam alcançar uma pegada ecológica eficiente e um ponto de equilíbrio entre o impacto humano e o futuro do planeta.
É sob este contexto que as certificações independentes têm ganho popularidade entre as organizações, com o propósito de atestarem de forma independente o cumprimento de um conjunto de princípios, por regra altamente exigentes, para que um edifício veja comprovada a sua eficiência nos diversos parâmetros que são avaliados. Entre as mais reconhecidas globalmente surge o exemplo da LEED® ou da WELL®.
Desenvolvida pelo U.S. Green Building Council nos finais da década de 90, nos Estados Unidos da América, a Leadership in Energy and Environmental Design tem por base um sistema de avaliação-padrão internacional que se divide em quatro categorias de certificação e pode ser aplicado a qualquer tipo de construção. Pelo reconhecimento internacional que apresenta, a LEED® atesta a aposta e a liderança das organizações num dos atuais pilares da sociedade e da economia mundiais: a sustentabilidade ambiental.
A WELL® Building Standard, por seu lado, é mais recente e tem particular foco na vertente da saúde e do bem-estar. Com três níveis de certificação, tem por base estudos e investigações científicas e coloca as pessoas no cerne do projeto, da construção e da utilização do edifício. Muitos defendem que ambas as certificações se completam, ao cruzarem tendências e estratégias globais de sustentabilidade e bem estar.
Efetivamente, a aposta nas certificações oferece às organizações um leque de oportunidades e vantagens que vão muito além da redução da sua pegada ecológica ou do bem-estar e da saúde. Falamos de poderosas ferramentas de marketing e de reputação e, no que toca a certificações como sejam a LEED®, a WELL® ou a BREEAM®, quanto mais reconhecidas e exigentes estas forem, mais acentuados serão os valores e a confiança associados a todas as organizações e empresas cujos edifícios as possuam.
Sob o ponto de vista do setor, projetar e construir um edifício tendo em conta os critérios e os requisitos que implicam a sua certificação é um processo desafiante, que implica o domínio exímio do conjunto de metodologias que lhe estão associadas. A experiência e o know-how necessários para liderar são essenciais para criar os meios que permitam atingir o cumprimento de todos os critérios da certificação.
Edifícios energeticamente eficientes e sustentáveis, que tenham como prioridade o bem-estar dos ocupantes e cumpram os mesmos padrões de funcionalidade, segurança, conforto e versatilidade, não são apenas uma moda, são o presente e o futuro dos requisitos-base de qualquer projeto. As certificações creditadas são uma tendência e a expectativa prevista é ainda de maior crescimento, sobretudo em nichos como sejam o mercado corporativo, pela valorização estratégica e o reconhecimento que acrescenta ao posicionamento das organizações, a par com o contributo social, económico e ambiental que representam.

Por Ana Silveira e Castro, coordenadora de Projetos na OPENBOOK Architecture
