Reduzir salários e novas contratações não estão nos planos das empresas, revela estudo da Mercer

Em julho, 72,5% das empresas inquiridas pela Mercer, empresa americana a operar na área da Gestão de Recursos Humanos, optaram por congelar as contratações, ou seja, decidiram não admitir colaboradores novos na sua estrutura ao longo de 2020. Além de não terem intenção de recrutar novos colaboradores, e perante o cenário de pandemia, 19% das organizações admitem inclusivamente proceder a despedimentos em 2020.

O Total Compensation Portugal 2020 analisou este ano 140 mil postos de trabalho em 466 empresas no mercado português. A amostra foi constituída maioritariamente por empresas multinacionais (51%) com a localização da casa mãe, em cerca de 20% dos casos, nos Estados Unidos. Este ano, e para cobrir as consequências da pandemia na gestão de pessoas, a Mercer criou uma nova secção dedicada ao impacto da COVID-19, com dados recolhidos em julho.

Cerca de 80% das empresas não antecipa cortar salários, nem os espera aumentar

De acordo com os dados apurados, a pandemia fez rever em alta a intenção de congelamento salarial no tecido empresarial português para 17%. A previsão para 2021 é de que haja um ligeiro abrandamento ao nível dos incrementos salariais.

Mas a grande maioria das empresas, cerca de 80%, não implementou nem considera implementar reduções salariais em 2020 com consequência da pandemia.

“Congelar salários e contratações são exemplos das medidas mais duras, mas, numa perspetiva positiva, a grande maioria das empresas não prevê diminuir o seu headcount nem prevê recorrer a reduções salariais”, analisa Tiago Borges, Career Business leader da Mercer.

Para Marta Dias Gonçalves, Surveys leader da Mercer, “os dados conduzem-nos à previsão de que em 2021 o cenário pode ser um pouco diferente, em particular no que diz respeito à remuneração variável.”

Incentivos de curto prazo

Na análise especial com dados recolhidos em julho, verifica-se que a quase totalidade das empresas nacionais (92%) pagou aos colaboradores os montantes relativos ao desempenho em 2019, de acordo com o previsto.  Das empresas que não pagaram bónus e incentivos de curto prazo, 50% refere que o mesmo foi adiado e 25% admitem terem-nos cancelado.

Quanto a 2020, 44% das empresas considera que ainda é cedo para prever se o pagamento será superior ou inferior ao realizado relativamente ao desempenho de 2019, no entanto, cerca de 23% das empresas antecipa que a expectativa é que esse valor seja inferior.

19% das empresas indicaram ter atribuído bónus especiais relacionados com a COVID-19 para colaboradores considerados críticos para atingir ou manter os atuais objetivos de negócio da organização – os técnicos operacionais foram o maior grupo elegível para a atribuição deste bónus (100%).

A hora do trabalho remoto e flexível

Como consequência da pandemia, o trabalho remoto é a modalidade aplicada de forma transversal nas organizações em funções não relacionadas com a produção – a percentagem média da força de trabalho a trabalhar remotamente ronda os 90%.

Perto de metade (45%) das empresas disponibilizam aos colaboradores que trabalham remotamente ferramentas como computador portátil, telemóvel, acesso a formação externa online ou mobiliário de escritório. Cerca de 49% das empresas inquiridas refere que irá manter o trabalho remoto por tempo indeterminado e 39% até que a situação melhore significativamente.

Cerca de 77% das empresas optou também pela implementação e reforço de políticas de trabalho flexível, que tendem a ser implementadas de forma transversal nas organizações em funções não relacionadas com a produção. Horários de trabalho flexíveis e a possibilidade de escolher trabalhar a partir de casa ou do escritório são as práticas mais frequentes.

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