Um relatório da rede na área da saúde EIT Health e da consultora de Gestão McKinsey & Company, chamado “Transformar os cuidados de saúde com a IA: o impacto no mercado de trabalho e nas organizações”, demonstra a necessidade urgente de atrair, educar e formar com conhecimentos digitais uma geração de profissionais de saúde.
O EIT Health é uma organização sem fins lucrativos e uma das maiores parcerias público-privadas da Europa no campo da inovação em saúde. Composto por aproximadamente 150 parceiros, é uma rede europeia exclusiva das principais empresas, universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento, além de hospitais e institutos.
Prevê-se que até 2030 a economia global possa criar 40 milhões de novos empregos no setor da saúde. No entanto, no início da próxima década, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a nível global poderão existir menos 9,9 milhões de médicos, enfermeiros e parteiras.
De acordo com o estudo, que inclui uma pesquisa com 175 técnicos da linha de frente nos cuidados de saúde, e entrevistas junto de 62 decisores do setor, a Inteligência Artificial pode revolucionar a assistência médica, a experiência do paciente e o acesso a serviços de saúde através da melhoria da produtividade e eficiência.
E ainda, de acordo com o documento, os conhecimentos digitais básicos, ciência biomédica e de dados, análise de dados e fundamentos de genómica serão cruciais – isto se a IA e o machine learning entrarem nos serviços de saúde e apoiarem o respetivo mercado de trabalho.
Vantagens para o setor da saúde
Que profissionais de saúde mais necessitam de competência em IA? Atualmente, na área da Saúde a IA é, por norma, aplicada nos processos de diagnóstico. No entanto, nos próximos 5 a 10 anos os profissionais de saúde esperam que a tomada de decisões clínicas passe a ser a aplicação digital mais relevante.
Os autores do relatório destacam que, com base na automação, a IA tem condições para revolucionar a assistência médica: desde apoiar a melhorar a vida quotidiana dos profissionais, e com isso permitir que estes concentrem a sua energia nos pacientes, até gastar menos tempo em tarefas administrativas para ter mais tempo para a prestação direta de cuidados.
Por exemplo, com um potencial que pode libertar 20% ou mais do tempo empregue por radiologistas em processos administrativos, as soluções de IA permitem que estes concentrem os seus esforços na leitura das radiografias, bem como na melhor forma de trabalhar com pacientes e equipas clínicas, com vista a uma maior personalização dos cuidados de saúde.
A IA pode potenciar a velocidade de diagnósticos e, inclusivamente, a sua precisão. Como exemplo, em 2015 os algoritmos ultrapassaram os seres humanos no reconhecimento visual. No Concurso de Reconhecimento Visual em Larga Escala do ImageNet Challenge, melhoraram de uma taxa de erro de 28% em 2010 para 2,2% em 2017, quando comparados com a típica taxa de erro humana, que ronda os 5%.
Startups que usam Inteligência Artificial
Em Portugal, a iLoF, a Abtrace e a Libra são exemplos de startups que desenvolvem os seus projetos com recursos à IA. A iLof, vencedora do programa EIT Health Jumpstarter 2019 e Wild Card 2019, criou uma base de dados em Cloud de impressões digitais óticas, alimentada por fotónica e IA, que fornece um rastreio não invasivo, triagem e estratificação para descoberta de medicamentos, com total adaptação às necessidades de cada ensaio clínico.
Já a Abtrace usa técnicas de inteligência artificial para fornecer aos médicos as informações necessárias que lhes permitam escolher o antibiótico e a dosagem correta para cada paciente e cada prescrição. A inovação promete melhorar o tratamento para os pacientes, diminuir os custos financeiros e reduzir o consumo de antibióticos errados.
Outro caso interessante é o da Libra, uma plataforma digital que pretende promover e manter comportamentos saudáveis junto de pacientes propensos à obesidade. Esta solução oferece um contacto digital personalizado, coaching, recolhe dados dos pacientes e permite uma comunicação remota com profissionais de saúde. Pode aceder ao relatório completo aqui.
