França começou a exigir que todas as pessoas usassem máscaras faciais em todos os locais de trabalho – do distrito empresarial parisiense às fábricas nas províncias. A decisão tem como objetivo conter o crescimento das infeções por coronavírus, ao mesmo tempo que procura evitar o fecho da economia.
O anúncio foi feito esta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e faz com que França seja um dos poucos países do mundo que exigem que todos os trabalhadores usem máscaras no trabalho. A mudança aconteceu após o fim de semana, quando o número de infeções por dia na França chegou a 3 mil pela primeira vez desde maio.
O país tem atualmente uma das taxas de infeção mais altas da Europa apesar de já exigir o uso de máscaras em espaços públicos fechados, como restaurantes, e em muitas áreas ao ar livre.
Agora, a partir de dia 1 de setembro, as máscaras também serão exigidas em todos os espaços de trabalho fechados e partilhados, incluindo escritórios em open space, corredores, salas de reuniões e vestiários. De acordo com as novas regras do governo, as máscaras só podem ser retiradas quando alguém está sozinho num escritório individual.
“O mais recente conhecimento científico sobre o possível risco de transmissão do vírus por aerossóis leva-nos a adotar o princípio geral de uso sistemático de máscaras em espaços de trabalho fechados e partilhados”, disse à Associated Press Laurent Pietraszewski, secretário de Estado das Reformas e da Saúde no Trabalho.
Locais de trabalho são clusters do coronavírus
Cerca de um quarto dos 1013 clusters de vírus, que surgiram desde que em maio a França deu por terminado o confinamento, foram identificados em locais de trabalho, de acordo com a agência nacional de saúde francesa.
Reuniões familiares, festas dançantes e outros eventos de verão também levaram a surtos, gerando novas preocupações num país que já viu mais de 30 mil mortes relacionadas com este vírus.
A Ministra do Trabalho, do Emprego e da Inserção, Elisabeth Borne, disse que as novas medidas são necessárias para garantir “a proteção da saúde dos trabalhadores e a continuidade da atividade económica.”
Os sindicatos têm vindo a pressionar para terem mais proteção contra o vírus. Os trabalhadores do Museu do Louvre, Amazon France, por exemplo, chegaram mesmo a abandonar o trabalho no início deste ano por estarem preocupados que os seus empregadores não estivessem a fazer o suficiente para protegê-los.
Alguns trabalhadores estão relutantes em usar máscara o dia todo, principalmente em profissões que exigem muita atividade física ou conversas pelo telefone, onde as máscaras podem dificultar a comunicação.
O governo francês também recomenda – mas não exige – que os funcionários trabalhem em casa, se possível, e aconselha que o alojamento individual seja usado para trabalhadores itinerantes em vez de alojamento coletivo.
Muitos governos incentivam as máscaras no trabalho, mas não as exigem em todos os lugares. Entre os poucos países que as impõem estão a Índia e as Filipinas. Em França as novas exigências entrarão em vigor no primeiro dia de setembro, quando os trabalhadores voltarem das férias de verão.
