Exclusão da Huawei das redes 5G implica custos altos para Portugal, calcula a Oxford Economics

Um estudo da Oxford Economics, agência de estudos económicos e financeiros da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostra os custos potenciais que a União europeia poderá ter caso coloque limitações à concorrência no mercado de fornecimento de equipamentos da rede 5G.

Para quantificar os potenciais efeitos na Europa, a Huawei, grupo chinês líder global em soluções de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), contratou a Oxford Economics para avaliar o custo dessa limitação da concorrência em 31 mercados europeus.

Tanto na Europa como no mundo, o mercado das soluções de TIC é dominado por três players: Ericsson, Huawei e Nokia, identificam os investigadores. No entanto, acrescentam: “a participação da Huawei no lançamento do 5G pode vir a ser condicionada por uma série de decisões políticas.”

Em junho de 2020, vários governos na Europa ainda estavam a equacionar a participação da empresa chinesa, tentando equilibrar as implicações na segurança com outras prioridades económicas e industriais.

A questão de usar ou não a Huawei nas redes móveis de próxima geração tornou-se um problema na Europa na sequência da pressão diplomática dos Estados Unidos para banir o grupo chinês.

Assim, segundo aquele estudo, caso a Huawei venha a ser excluída do desenvolvimento das redes europeias de quinta geração, os impactos negativos podem ascender a três mil milhões de euros anualmente. Tal representaria um aumento de 19% do custo anual associado aos investimentos de implementação das redes 5G, o que significa cerca de 63 milhões de euros por ano em Portugal, enquanto na Alemanha esse valor poderia ascender aos 479 milhões de euros anuais.

Um atraso na implementação do 5G também potenciaria uma desaceleração da inovação tecnológica e uma redução no crescimento económico. A nível europeu, as perdas no PIB poderão ser na ordem dos 40 mil milhões de euros em 2035, tendo por base valores de 2020.

Os investigadores referem que a infraestrutura digital desempenha um papel essencial para alavancar a economia, especialmente na fase de recuperação económica pós-pandemia.

O relatório “Restricting Competition in 5G Network Equipment throughout Europe” destaca que a implementação das redes de quinta geração pode estimular a recuperação económica a curto prazo e que as velocidades de ligação mais rápidas obtidas com redes 5G são cruciais para aumentar os níveis de produtividade.

A exclusão da Huawei seria dramática para a Europa em termos de perdas económicas líquidas a longo prazo. A restrição da concorrência geralmente propicia um considerável aumento de preços, pelo que, reafirma o estudo da Oxford Economics, impedir um grande participante de competir na rede 5G e, consequentemente, limitar a concorrência, resultaria em custos de investimento mais elevados, atrasando a implantação das redes.

Consequências para Portugal

Com o atraso da implementação do 5G, o estudo estima que Portugal venha a registar um acréscimo de custos na ordem dos 63 milhões de euros por ano, podendo atingir os 95 milhões; que um milhão de portugueses não tenha acesso a 5G em 2023, podendo ascender a 1,4 milhões de pessoas.

Caso a Huawei, que opera em Portugal desde 2004, seja colocada de fora do desenvolvimento das tecnologias de nova geração, a Oxford Economics antecipa uma redução do PIB português na ordem dos 500 milhões de euros em 2035, podendo alcançar os 1.100 milhões de euros.

Já os benefícios para Portugal com a implementação dos serviços 5G e atividades associadas seriam o estímulo à atividade económica, contribuindo com 3,7 mil milhões de euros para o PIB, e a criação de cerca de 127 300 empregos.

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