O Regresso da atividade Cultural
O setor cultural em Portugal foi dos primeiros a ser paralisado e está gradualmente a retomar a atividade, podendo-se constatar que o público adere positivamente e, aos poucos, regressa aos vários espaços do País. O Teatro Nacional D. Maria II, por exemplo, reabriu portas no final de junho para duas apresentações do espetáculo By Heart que, embora apenas com 50% da lotação da sala (cerca de 200 lugares), esgotaram em dois dias. Um sinal positivo da retoma de atividade no setor e do regresso do público às salas. «A redução da lotação, as novas regras de segurança e higiene (como a utilização de máscara por parte do público durante todo o espetáculo) e as normas de circulação dentro dos edifícios, são precisamente algumas das mudanças a que estamos a assistir no setor, de forma inevitável e a curto prazo», afirma Cláudia Belchior, presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional D. Maria II. Mas a estas juntam-se outras mudanças e incertezas, possivelmente, menos visíveis a um primeiro olhar.
Por um lado, todo o processo de ensaios associados a um espetáculo sofreu grandes alterações, como a utilização de máscaras por
parte dos atores e equipas técnicas ou a redução do contacto físico entre atores. «Questões que se prendem diretamente com a forma como se constrói, pensa e vê um espetáculo e às quais devemos prestar muita atenção. Por outro lado, vivemos ainda um período de grande insegurança em relação às fronteiras europeias e mundiais, o que poderá impactar diretamente as digressões internacionais de espetáculos portugueses e o acolhimento de espetáculos de companhias estrangeiras em território nacional. E, por fim, deparamo-nos com questões orçamentais (como acontecerá igualmente noutros setores), relacionadas com o incremento de custos que todas as medidas de segurança e de reagendamento da atividade acarretam», chama a atenção Cláudia Belchior. «O teatro, um local de partilha e de convívio por excelência, depara-se ainda com grandes mudanças na forma como atualmente, enquanto espectadores, entramos numa sala de espetáculos e refletimos sobre aquilo a que estamos a assistir», deixa o alerta.
No dia 12 de março, o Teatro Nacional de São Carlos tinha prevista a estreia da ópera Die Walküre, de Richard Wagner, no CCB, mas a data coincidiu com a suspensão da atividade cultural em Portugal. Nas longas semanas seguintes, trabalhou-se em muitas frentes: honrar compromissos junto de artistas e técnicos, reprogramar e debater a nova realidade com o pensamento no regresso seguro e na adaptação dos espaços para receber todos os funcionários, de entre eles os artistas, mas também os públicos. Explica Conceição Amaral, presidente do Conselho de Administração do OPART, entidade gestora do Teatro Nacional de São Carlos, «Sempre com absoluta confiança. O esforço para voltarmos ao palco passou por acautelar as muitas especificidades de cada grupo artístico, primeiro para os ensaios e estudos e depois para os espetáculos. A Orquestra e o Coro, e dentro deles o dever especial de proteção dos mais frágeis e dos mais expostos.
Debatidas e adotadas as melhores práticas internacionais e implementadas as orientações das autoridades e tutelas, no que respeita às pessoas e ao edifício, reabrimos com segurança e muita alegria logo no início de junho. Os espectadores que assistiram aos espetáculos já apresentados, mas também as famílias que vieram visitar o nosso belíssimo Teatro são o maior estímulo para prosseguirmos o caminho que nos levará à apresentação de uma programação regular, desejável a partir de setembro». Vencido o desafio do espetáculo em sala, saíram à rua e abraçaram o 12.º Millennium Festival ao Largo, «já desde o dia 10 de julho, com a certeza de que a missão de serviço público que orgulhosamente cumprimos continuará a ser correspondida pelo público», acrescenta.
