Os resultados de junho do Portuguese Housing Market Survey (PHMS), inquérito mensal a um painel de empresas de promoção e mediação imobiliária sobre as regiões metropolitanas de Lisboa, Porto e Algarve, voltam a sinalizar uma tendência de maior estabilidade no mercado de compra e venda de habitação, ainda que as consequências económicas da atual pandemia devam continuar a influenciar as perspetivas de desenvolvimento do mercado durante algum tempo.
Já no mercado de arrendamento, a procura por parte dos inquilinos aumentou ligeiramente pela primeira vez desde fevereiro, dando alguns sinais de recuperação, sublinha o PHMS, uma avaliação qualitativa dos mercados de compra, venda e arrendamento.
Este resulta de uma parceria entre o banco de dados Ci – Confidencial Imobiliário, a única fonte em Portugal com dados estatísticos sobre preços de transação e contratos de arrendamento de imóveis residenciais, e o RICS, – qualificação profissional usada na gestão do território, imobiliário e construção.
O último saldo líquido de respostas relativo às consultas por novos compradores foi de -15%, apenas ligeiramente menos que os -19% registados no mês anterior, mas significativamente melhor do que os -56% de abril. Ainda assim, mesmo que modestamente, este indicador continua negativo em todas as regiões cobertas pelo inquérito (Lisboa, Porto e Algarve).
Em termos das novas instruções de venda, os inquiridos continuam a notar uma tendência decrescente, com o último saldo de respostas a atingir – 20%, apesar de marcar uma melhoria face aos -26% registados em maio.
As novas vendas acordadas também continuam com um comportamento semelhante, devolvendo um saldo líquido de respostas de -21%. Contudo, esta é a leitura menos negativa em quatro meses. Em termos futuros, as expetativas de vendas entram agora em território neutro, com o saldo líquido de respostas a devolver um valor nulo, comparando com os -12% do mês anterior.
Segmentando por região, as expetativas de vendas estão, de facto, marginalmente positivas em Lisboa, com uma perspetiva menos otimista no Porto e com o Algarve a refletir a tendência nacional. No que se refere aos preços das casas, um saldo líquido de respostas de -12% dos inquiridos reportou uma descida no mês, embora apontando para um novo alívio no ritmo de descida face aos meses anteriores.
Nos próximos 12 meses, os inquiridos esperam que os preços das casas caiam 2%, uma marca significativamente menos negativa que a perspetiva de -7% em março. Em termos regionais, as expetativas de 12 meses são ligeiramente mais pessimistas no Porto do que em Lisboa e Algarve.
No mercado de arrendamento, a procura por parte dos inquilinos subiu pela primeira vez desde fevereiro, sublinhado por um saldo líquido de respostas de +8% dos inquiridos a notar um aumento. Mas as rendas continuam a cair por agora, com as expetativas de curto prazo a manterem-se também em terreno negativo.
Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, “o sentimento dos agentes de mercado está em linha com os últimos indicadores quantitativos publicados pela Confidencial Imobiliário. De acordo com o último Índice de Preços Residenciais, a tendência nacional é positiva, com um crescimento de 0,8%. Este resultado é reforçado pelo novo aumento nas vendas, que recuperaram 11% em junho face a maio. Ainda assim, continuam a existir algumas nuvens sobre as expetativas, com muitos agentes preocupados com o aumento do desemprego e a atual exclusão de Portugal da lista de destinos turísticos seguros”.
Para Simon Rubinsohn, economista sénior do RICS, “apesar dos indicadores económicos em Portugal apontarem para alguma recuperação, esta recuperação foi bastante limitada face aos acentuados declínios de março e abril. Em termos futuros, a atividade deve melhorar na segunda metade do ano, mas a força da recuperação dependerá da efetividade das estratégias de saída do confinamento e da recuperação da procura externa.”
