Tenho assistido a algumas narrativas que destacam os pontos fracos do teletrabalho e das novas formas de trabalho que esta pandemia nos obrigou a adoptar.
Pois bem, considero isto obsceno, pois são perigosas mensagens de resistência à mudança.
Vamos aos factos. As gerações mais novas são as que mais procuram a mudança e são também as mais exigentes para com a mudança nas organizações (Millennials: Burden, blessing, or both?, da McKinsey; Global Millennial Survey 2019, da Deloitte). Gerações como a Y e Z recebem de braços abertos novas formas de trabalho – e muitas das vezes exigem a mudança nas organizações. E é aqui que começa a resistência e teimosia de (alguns) líderes.
Ainda há uns meses, assisti à revolta de um líder que partilhava a história de uma jovem millennial que decidiu bater à porta do seu gabinete (sim, pelos vistos isto ainda se usa!) e muito perentoriamente, esta adulta, questionou a possibilidade de trabalhar dois meses no estrangeiro para ir aprender a fazer scuba diving.
Choque e indignação. É a melhor forma de descrever o estado deste líder. Este líder apoiou a sua narrativa nos impactos que isto teria nos projetos a decorrer. Dou-lhe toda a razão, teria impactos caso isto fosse autorizado (que não foi), mas é aqui que digo: esta empresa não se preparou e continua em negação.
(In)felizmente para muitos isto é cada vez mais comum e bem aceite – novas formas de trabalho e mais flexíveis. O que era considerado anti-natura há uma década rapidamente será a norma. Basta lermos os estudos que apontam que as gerações Y e Z serão a maior força de trabalho (e também de consumidores) do planeta Terra, em menos de uma década – e é esta a geração que mais exige a mudança.
Os consumidores alteram os seus comportamentos e preferências e observo as empresas a investirem milhões em manter os seus produtos e serviços actualizados.
Pergunto, será que também não faz sentido alterar o design organizacional e os métodos e canais de trabalho em função das alterações de comportamentos e preferências da força de trabalho?
A resposta parece-me óbvia! E às raras empresas que resistem a estas mudanças (urgentes), deixo uma mensagem: tic-tac.

Por Vasco Alexandre Duarte Barbosa, consultor sénior
