O guia “Safely back to work in the new normal”, desenvolvido pela Randstad, o Grupo Adecco e o ManpowerGroup, explica como garantir a higiene e segurança dos colaboradores no regresso ao trabalho.
As relações profissionais não voltarão a ser o que eram antes do novo Coronavírus ter surgido. No futuro, num mundo onde a pandemia começa a dissipar-se impõem-se novas normas de higiene e segurança. E esses novos protocolos ajustados ao mundo pós-pandemia devem ser preparados hoje.
Calcula-se que em Portugal, este cenário esteja para breve, já no mês de maio. Mas o que nos espera na nova realidade? Distanciamento físico, mais medidas de higienização e testes regulares é o que sabemos por agora, mas novas medidas poderão surgir.
Quando lá chegarmos, cada país terá de ter os seus próprios processos e protocolos de saúde e segurança instituídos, bem como cada setor de atividade e, por sua vez, cada empresa.
A crise de saúde provocada pela Covid-19 e a necessidade de isolamento traz desafios sem igual na vida das pessoas e nas relações económicas em todo o mundo. As empresas de todos os tamanhos, em diversos setores lutam para sobreviver, um grande número de pessoas está a perder os seus empregos e a enfrentar sérias incertezas financeiras.
Para controlar a desaceleração económica e o impacto desta pandemia na capacidade das pessoas ganharem a vida, a Randstad, o Grupo Adecco e o ManpowerGroup, unidos numa parceira, aconselham o mercado de trabalho e todas as partes interessadas a não perderem tempo e a começarem já hoje um trabalho de ajustamento ao que se espera que seja a nova realidade. “Uma nova normalidade onde o distanciamento físico, sinónimo de distanciamento social, e outras medidas rigorosas farão parte integrante dos novos processos de trabalho por um tempo considerável”, lê-se no guia “Safely back to work in the new normal”, ou voltar ao trabalho em segurança no que será a nova normalidade.
As três empresas especialistas em recursos humanos explicam que entre as novas medidas está a flexibilização da força de trabalho, o que inclui trabalhar remotamente. Hoje a ação é urgente por parte das empresas. “É preciso estar preparado para levar as pessoas rapidamente ao trabalho em segurança quando chegar o momento certo”, lê-se no relatório.
Como organizar e implementar um regresso seguro ao trabalho se quisermos evitar uma segunda onda de infeção? Algo é certo: é necessária uma coordenação entre empregadores, governos, sindicatos e trabalhadores. Depois, as melhores práticas devem ser partilhadas entre países e indústrias, sem esquecer a criação de novos canais para escalar protocolos de higiene e segurança no trabalho eficazes.
Medidas para controlar os riscos
Como preparar a volta ao trabalho? Segundo o guia “Safely back to work in the new normal”, a ideia é atingir níveis aceitáveis de risco ao mesmo tempo que se limita o impacto económico.
Ou seja, a base da pirâmide do controlo do risco começa com a proteção das pessoas com Equipamento de Proteção Individual, subindo até ao topo temos a mudança da forma como as pessoas trabalham, o isolamento das pessoas face ao risco, a substituição e finalmente a eliminação do risco.
Estas recomendações em níveis fornecem aos empregadores informações sobre como podem reiniciar a atividade da empresa, de maneira segura e equilibrada, enquanto mitigam os desafios da COVID-19. Devemos ainda aprender e retirar lições da forma como setores que não fecharam portas, como o agroalimentar, estão hoje a gerir a segurança dos seus colaboradores.
Disponibilizar equipamentos: Adquirir equipamentos que sirvam de barreira, que controlam os acessos das pessoas dentro dos edifícios e o trabalho em equipas fixas cujos elementos já foram testados são algumas formas de ir controlando o risco nas empresas. Na base das medidas está a facilitação da higienização, oferecendo gel de mãos e o acesso a locais para lavar as mãos, antes e depois dos turnos, e fornecer Equipamento de Proteção Individual, máscaras com respiradouros e testes à Covid.
Protocolos de higiene e segurança no trabalho: As empresas europeias já começaram a desenvolver uma série de protocolos de segurança e saúde para fazer face à ameaça da Covid.
Controlo de acessos a edifícios e quarentena: É importante definir políticas claras para acesso ao local de trabalho, medir a temperatura corporal na entrada do edifício, realizar verificações visuais e de temperatura aleatórias durante o horário de trabalho, pedir a quarentena de funcionário logo que surja o menor sintoma de Covid-19, e registar entradas e saídas dos espaços e edifícios.
Trabalho remoto: Incentive o trabalho remoto em todas as funções que não exijam presença física e proporcione webinars sobre práticas recomendadas de trabalho remoto e liderança.
Planeamento do trabalho e dos turnos: Crie planos de turnos diferenciados e intervalados para conseguir um congestionamento mínimo nas instalações. Procure separar os locais de trabalho ou dispersar as mesas para garantir uma distância mínima. Pode identificar e isolar grupos críticos de funcionários e ainda fazer planos de contingência caso seja necessário fechar locais de trabalho.
Higiene e saúde: Estabeleça políticas claras para o distanciamento físico no local de trabalho e procedimentos diários de desinfeção. Além dos protocolos obrigatórios de saúde e higiene para os funcionários. Por exemplo, lavar as mãos, usar máscaras, usar luvas. Se for possível, condicione o uso do elevador, evite o uso de objetos partilhados como, por exemplo, canetas e telefones.
Compliance e comunicação: Deve comunicar pelo menos uma vez por dia sobre o objetivo e as mudanças nas medidas em vigor. Deve realizar auditorias aleatórias em todos os departamentos para ver se as medidas estão a ser cumpridas e relatar os sintomas da Covid às autoridades sanitárias.
Apelo à ação
Sem estes novos processos, lê-se no estudo, “os indivíduos podem temer voltar ao trabalho e as empresas a reabertura. ”Para dar resposta aos novos desafios, foi criada uma aliança, liderada pela Randstad, que une os esforços de grandes empresas de serviços de recursos humanos, como o Grupo Adecco e o ManpowerGroup”. Juntos, estes especialistas em mercados de trabalho estão prontos para ajudarem, já hoje, a preparar o mundo que aí vem quando tudo isto passar. Um dos objetivos desta aliança é manter o contato com o poder político. “A hora da união e da ação é agora”, dizem os parceiros.
Qual é o poder desta parceria? As várias empresas têm presença em vários países e setores, trabalham tanto para grandes empresas como para pequenas e médias; podem alavancar as melhores práticas globais; trabalham como intermediários entre empregadores e empregados e por essa razão entendem os reais problemas; têm larga experiência na organização e implementação de protocolos de saúde e segurança; trabalhando em estreita colaboração com especialistas de Higiene e Segurança no Trabalho; e são consultores na gestão flexível da força de trabalho. Na prática, podem oferecer serviços de recrutamento e gestão de mão-de-obra a trabalhar à distância, ajuda na transição e, por exemplo, formação em novas competências.
Mas a ideia central desta aliança é implementar protocolos e políticas atualizadas e alinhadas com as melhores práticas seguidas em todo o mundo. Como especialistas do setor, podem fornecer acesso a casos de sucesso de empresas para aprender com colegas do mesmo setor ou de setores diferentes.
Estas três organizações de topo apelam a outras organizações a juntarem-se à causa: empregadores, sindicatos e organizações não governamentais. O foco inicial está em empresas de cinco setores: transportes, indústria automóvel, Ciências da Vida, construção e alimentação. E nestes países e regiões: Bélgica, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Espanha, Reino Unido e EUA.
@imagem do Guia “Safely back to work in the new normal”
