A pandemia tem conduzido o nosso foco internacional para os locais óbvios: Espanha, Itália, Reino Unido, China e Estados Unidos, além do Brasil talvez por causa de Bolsonaro. Mas olhamos pouco para sítios para onde devíamos olhar mais: Singapura, Coreia do Sul e Taiwan. Consideremos Taiwan.
Há uns anos passei em trabalho por Taipé. Infelizmente não deu para conhecer a beleza da China Formosa. Mas nesses quatro dias, metade de calor abrasador, metade de chuva tropical, observei um país fascinante. Mesmo sem conhecer ninguém, o estrangeiro é acolhido com inusitada hospitalidade, imagino que por causa do isolamento internacional forçado pela China. Taiwan é um país que vale a pena conhecer. E agora, com a crise, um país com o qual parece valer a pena aprender.
Mesmo num processo cheio de encobrimentos e de fake news, Taiwan parece deixar importantes lições sobre a crise. Não é necessário maçar os leitores da LÍDER que podem estudar com maior detalhe no paper indicado, a abordagem adotada naquele país (o artigo está disponível, por exemplo no Google Scholar). Taiwan aprendeu com a SARS que em vez de desenrascar é preciso planear bem, para depois improvisar como deve ser. Tem um centro de controlo de pandemias, usa data analytics e mecanismos de inteligência artificial para compreender a evolução de surtos epidémicos e reage muito rapidamente. Admitindo que a Covid-19 é a nossa SARS, a lição é clara: convinha que, à escala europeia, em vez de cada um fazer como lhe apetece e competir por equipamentos, houvesse melhor preparação para agora não andarmos a receber material quando ele está disponível e não quando era mais necessário. Parece ser possível fazer diferente, sem ter de confiar tanto no proverbial desenrasque. Estudemos Taiwan.
Para explorar o caso de Taiwan: Wang, C. J., Ng, C. Y., & Brook, R. H. (2020). Journal of the American Medical Association.

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder
