O passo mais difícil foi encerrar todas as lojas – as 25 franqueadas e as cinco próprias. Hoje, a maioria está em regime de prevenção, o que significa que tem um serviço de suporte que atende necessidades mais urgentes. Resta agora estudar diversas opções de apoio para quando for a altura de reabrir em força.

Desde o primeiro momento que tem estado a trabalhar sobre diversos cenários. Para Miguel Alves, diretor geral da Alain Afflelou Portugal, esta fase terá os seus danos, «mas a verdade é que certamente todos nós iremos sair mais fortes e, talvez, mais sábios. Situações de grande tensão são solo fértil para a reinvenção».
Começou por munir de álcool e máscaras todas as lojas, as consultas de optometria foram limitadas e as consultas de contactologia canceladas. A limpeza de todos os instrumentos, equipamentos, superfícies e produtos foi redobrada. E o plano de contingência foi definido.
De momento, o total das 30 lojas estão já a analisar planos de ação de acordo com os diversos cenários. «Tendo este trabalho feito, creio que é meio caminho andado para um regresso menos penoso. Não sendo um remédio para todos os males é certamente um mapa orientador para fazer face ao futuro», garante.
O que é mais assustador nesta crise de saúde pública mundial?
Para mim o mais assustador é sem dúvida a perda de vidas que temos vindo a assistir e o estado de ansiedade que está instalado, que pode ser um fator inibidor na reação que se impõe neste momento.
Quais as medidas implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
Desde cedo, definimos um conjunto de procedimentos de segurança e proteção para os nossos colaboradores. Munimos as nossas lojas de álcool e máscaras, limitámos as consultas de optometria e cancelámos as consultas de contactologia. A limpeza de todos os instrumentos, equipamentos, superfícies e produtos foi redobrada. Definimos um plano de contingência com ações especificas a ter em caso de suspeita de contágio de colaboradores ou clientes. A par destas medidas, mantivemos o contacto constante com os colaboradores com o objetivo de os atualizar com informações pertinentes.
Sendo uma marca franchisadora, estas medidas foram também divulgadas para toda a rede de forma a apoiá-los na implementação de medidas de segurança e proteção nas suas lojas.
Durante o período de isolamento social, a Alain Afflelou fornece um serviço de suporte para atender as necessidades mais urgentes dos clientes e em particular a todos os que têm que continuar a trabalhar. Como tal, estão várias lojas em regime de prevenção que funcionam por marcação. Existe também o serviço de Apoio a Clientes através do site, por telefone ou por email.
Que impacto no negócio?
Não tenho dúvida que o impacto será significativo. Há uma forte retração no consumo e isso acarreta diversos problemas. No entanto, espero que o regresso à normalidade seja caracterizado pela chamada “Revenge Spending”, como está já a suceder na China.
Como esperam contornar esse impacto?
Desde o primeiro momento que temos estado a trabalhar sobre diversos cenários. Não será fácil sair desta fase sem danos, mas a verdade é que certamente todos nós iremos sair mais fortes e, talvez, mais sábios. Situações de grande tensão são solo fértil para a reinvenção.
Que situações complexas em concreto enfrentam e como pensam atuar?
Uma das situações mais complexas é a necessidade de encerrar as lojas, quer as próprias, quer as de franquia. Este passo, que foi dado em prol da saúde de todos nós, lança-nos um grande desafio especialmente do ponto de vista económico e financeiro, não deixando de sublinhar o ponto de vista dos recursos humanos. Atualmente já estamos a estudar diversas opções de apoio para que quando for altura do regresso o possamos fazer com força.
Já tinham vivido um desafio destes?
Sinceramente não, até porque esta situação é ímpar.
Qual o papel que o Estado deve assumir perante as empresas?
Na minha opinião, o Estado deve assumir um papel ativo e de liderança e não reagir a pressões, pois isso apenas leva, muitas das vezes, a tomadas de decisão desequilibradas e desajustadas à realidade vivida. Nesta fase tão complexa, quase todos irão necessitar de apoio, mas as pequenas e médias empresas serão as que mais irão precisar de ajuda. E é aqui que deve residir o foco, com a criação de medidas concretas e realmente aplicáveis. Não basta disponibilizar linhas de crédito e apoios fiscais. Há que desenhar as regras de forma simplificada, para que o acesso seja efetivo e imediato. Posteriormente deverá exercer uma fiscalização eficaz, com vista ao controlo de eventuais fraudes. As empresas precisam é de ajuda agora e não daqui a alguns meses, quando conseguirem reunir os pressupostos que possam ser exigidos.
Conselhos que deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
O que posso dizer é que o fundamental é analisar a realidade da empresa e definir planos de ação de acordo com os diversos cenários. Tendo este trabalho feito e priorizado, creio que é meio caminho andado para um regresso menos penoso. Não sendo um remédio para todos os males é certamente um mapa orientador para fazer face ao futuro.
E aos portugueses em geral?
Penso que o fundamental é que todos mantenhamos a calma e a serenidade e que cumpramos com as diretrizes que nos são dadas pela DGS e pelo Governo. Com este comportamento, estou certo que muito em breve estaremos todos de regresso à vida normal.
