RADAR COVID-19: Os grandes desafios da actividade mineira

A Somincor chamou a si um Plano de Contingência proactivo. A extração de minerais base, predominantemente cobre e zinco – essenciais para a transição energética e a produção de produtos e equipamentos médicos – continua a operar no local com desafios acrescidos.


São poucos os que realmente sabem o que se passa dentro de uma mina. Calculam que haja pó, água, escuridão, túneis, maquinaria pesada e rígidas normas de segurança.

Muito antes da pandemia, já a segurança e a saúde se assumiam como os grandes pilares da mina de Neves-Corvo, localizada no Baixo Alentejo, na margem sul da Faixa Piritosa Ibérica, a cerca de 220 km a sudeste de Lisboa e a cerca de 15 km de Castro Verde.

Com a pandemia, a Somincor – Sociedade Mineira de Neves-Corvo, concessionada pela empresa canadiana Lundin Mining, criou um Plano de Contingência proactivo, orientado para a mudança de comportamentos individuais, a redução dos fatores de risco e a adaptação do funcionamento às orientações das autoridades de saúde.

«É fundamental também evidenciar que todas as medidas implementadas envolveram, desde o início, os representantes dos trabalhadores, neste caso específico o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, num processo de cooperação fundamental para a implementação de medidas como o distanciamento social, o teletrabalho, a restrição no acesso de pessoas externas à organização», lembra Kenneth Norris, administrador delegado da Somincor, composta por 1200 colaboradores. Deste universo só as áreas administrativas passaram a teletrabalho, os 500 mineiros, os colaboradores das Lavarias e da área de Segurança estão no terreno.

«Não somos uma ilha isolada», dispara o administrador delegado, referindo-se ao facto de estarem sujeitos, mesmo em tempos de normalidade, à capacidade produtiva, ao que o subsolo lhes reserva e às modelações dos mercados internacionais na cotação do produto.

Ainda assim, todas as dimensões da atividade mineira vivem desafios acrescidos. Adaptando-se da extração à exportação, sem esquecer o funcionamento da cadeia de abastecimento. Só assim, o normal funcionamento da empresa foi permitido. Ainda que tenha havido necessidade de suspender temporariamente o Projeto de Expansão do Zinco, um dos maiores investimentos privados realizados em Portugal.

Em entrevista à Líder, Kenneth Norris quer deixar claro a importância da actividade mineira para o País e neste caso específico para o Baixo Alentejo, já que é um dos maiores empregadores da região constituída pelos municípios de Castro Verde, Almodôvar, Aljustrel, Mértola e Ourique.

O que é mais assustador nesta crise de saúde pública mundial?
A rapidez com que se propaga o risco para a vida humana. É por isso que temos sempre como pilares da nossa atividade empresarial a segurança e a saúde das nossas pessoas e da nossa organização. Só em tempo de normalidade conseguimos antecipar os riscos, porque conhecemos a nossa atividade. É o maior desafio de saúde pública do nosso tempo.

Quais as medidas implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
A segurança e a saúde são parte do quotidiano da Somincor e da Lundin Mining. Com a pandemia há muito que temos um plano de contingência proactivo, orientado para a mudança de comportamentos individuais, a redução dos fatores de risco e a adaptação do nosso funcionamento às orientações das autoridades de saúde. É fundamental também evidenciar que todas as medidas implementadas envolveram, desde o início, os representantes dos trabalhadores, neste caso específico o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, num processo de cooperação fundamental para a implementação de medidas como o distanciamento social, o teletrabalho, a restrição no acesso de pessoas externas à organização, entre outras.
Estamos a trabalhar no âmbito do Plano de Resposta à Pandemia da nossa empresa para, com redobradas cautelas de saúde e higiene, contribuir para o País e para a nossa operação, que tem um grande impacto nesta região do País. Todos os dias temos uma reunião da equipa de gestão de crise, a nível interno e com a Lundin Mining, sendo de realçar que algumas das pessoas que integram esta equipa tiveram experiência e formação anterior na gestão e preparação em cenários de crise epidémica. Adicionalmente, a empresa promove formações anuais em gestão de crise o que nesta altura constitui uma mais valia para a nossa organização na forma como lidamos com esta questão.
Por querermos reduzir a exposição aos riscos, suspendemos temporariamente o Projeto de Expansão do Zinco, um dos maiores investimentos privados realizados em Portugal nos últimos anos, na medida em que este implicava o recurso a prestadores de serviços e a deslocações de trabalhadores oriundos de vários pontos do País. Quisemos proteger os trabalhadores e a comunidade desta região da ameaça do COVID 19. Fizemo-lo não apenas de uma forma preventiva mas também proactiva através, por exemplo, da doação de máscaras e fatos descartáveis à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e ao Centro Hospitalar da Universidade do Algarve.

Que impacto no negócio?
Não há nenhum setor de atividade económica que fique imune aos impactos desta pandemia. A procura de minerais como o cobre ou o zinco, essenciais para a transição energética, para a produção de produtos e equipamentos médicos e para outras áreas relevantes da nossa economia e sociedade, vai continuar. O nosso compromisso é continuarmos a apoiar estas necessidades que são vitais para a nossa sociedade durante e pós-pandemia.

É possível já começar a desenhar algumas medidas a esse nível?
Não somos uma ilha isolada. Mesmo em tempo de normalidade, estamos sujeitos à capacidade produtiva, ao que o subsolo nos reserva e às modelações dos mercados internacionais na cotação do produto do nosso trabalho. Temos bem presente a importância dos trabalhadores e de todos os intervenientes no processo produtivo para a manutenção da atividade, a resiliência perante o desafio e o relançamento pós-pandemia. Nada mudou na nossa determinação e no compromisso com todos.

Situação complexas em concreto que enfrentam e como pensam atuar?
A segurança e a saúde são pressupostos da atividade, logo, a complexidade coloca-se na salvaguarda dessa dimensão e na manutenção da atividade. Em tempo de pandemia, há renovados desafios em todas as dimensões da atividade, da extração à exportação e sem esquecer o normal funcionamento da cadeia de abastecimento.

Já tinham vivido um desafio destes?
Em tempos de paz, ninguém viveu um desafio global com esta complexidade.

Qual o papel que o Estado deve assumir perante as empresas?
Somos parceiros de desenvolvimento local, regional e nacional. Contribuímos para o Estado com o nosso trabalho, com as nossas exportações e com o nosso impacto na economia nacional. Como retorno desse contributo, esperamos que, em tempos incertos como estes, o Estado e as autoridades de saúde nos aconselhem e nos orientem num esforço global conjunto de combate à pandemia do COVID 19.

Conselhos que deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Este não é um tempo de conselhos, mas de aprendizagens, individuais e de conjunto. Temos todos que estar juntos na partilha de boas práticas e na proteção da saúde e da segurança das nossas pessoas e das comunidades onde operamos.

E aos portugueses em geral?
É importante que estejamos distanciados, isolados mas mais do que nunca, temos que estar unidos na esperança de que, enquanto nação e comunidade global, possamos combater esta pandemia. Por agora, o essencial é que cada um siga as recomendações das autoridades de saúde nacionais e internacionais. Juntos, vamos conseguir superar este desafio.

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