Mudança, reflexão, adaptação, aprendizagem, reinvenção… Estas são palavras que tomaram conta dos nossos dias e que adotámos de forma generalizada no nosso discurso, muitas vezes sem as interiorizarmos, outras, sabendo que é uma inevitabilidade, cuja concretização vamos adiando, enquanto gerimos as necessidades do momento em modo automático.
A verdade é que dificilmente o mundo voltará a ser o que era. Não tenho dúvidas de que superaremos esta provação, mas não podemos, e não devemos, esperar que o que vivemos desapareça das nossas memórias. Abruptamente, vimos em risco aquele que é o nosso bem mais precioso, a nossa saúde, e ficámos isolados. Para o bem e para o mal, há lições que temos de tirar. São essas lições e a forma como as incorporamos na nossa vida que nos permitem evoluir. É essa a história da Humanidade.
Estamos perante um daqueles momentos disruptivos sobre os quais lemos e é a nossa vez de nos elevarmos. A mudança não é algo que possamos empurrar para o final da crise, é algo que está já a acontecer e que temos de fazer. Um pouco por todo o mundo, mas particularmente em Portugal, vemos manifestações disso, desde empresas que viraram o seu foco para a produção de bens de primeira necessidade no combate à pandemia, a serviços que reinventaram os seus modelos de negócio para dar resposta às novas necessidades, como, por exemplo, os restaurantes e outros estabelecimentos de bens alimentares que começaram a fazer entregas ao domicílio e take-away.
Apesar do clima de instabilidade e da falta de visibilidade, pessoalmente, enquanto estrangeiro, fiquei extremamente tocado com a grande onda de solidariedade, sensibilidade e respeito do povo Português. Podemos fazer mais uns pelos outros e esse deve ser o nosso foco, na forma como nos relacionamos, como estruturamos os negócios e gerimos as pessoas. Enquanto companheira diária das pessoas no trabalho, a Edenred sempre acreditou que criar valor para a sua comunidade, através de soluções que respondam efetivamente às suas necessidades, e fazer uma diferença positiva nas vidas das pessoas, é o mais importante. E essa foi, sem dúvida, uma vantagem de que beneficiámos neste contexto.
Mesmo assim, percebemos que poderíamos ir mais além. A trabalharmos, quase integralmente em teletrabalho, temos conseguido superar-nos. Deitámos virtualmente abaixo as paredes que nos separam, unindo-nos para que nada faltasse aos nossos clientes, parceiros e utilizadores. Estamos a fazer tudo para garantir que as pessoas têm acesso aos bens alimentares de que necessitam, de forma segura, e que os estabelecimentos conseguem manter-se de portas abertas.
Tem sido um grande desafio, mas temos colocado o nosso foco e os nossos esforços em apoiar os pequenos e médios estabelecimentos. Criámos iniciativas em tempos recorde, como a comunidade “AO SEU LADO”, que, em 48h, nasceu, conectando os nossos utilizadores, através da nossa App e com recurso à geolocalização, aos negócios com take-away ou entregas ao domicílio, e forjámos parcerias que facilitaram, em muito, a vida dos nossos clientes e utilizadores. Estamos literalmente “AO LADO” de quem mais precisa e somos parte ativa da solução. Provámos que a responsabilidade social corporativa não é só um chavão e que, com comunicação, transparência, liderança, motivação e, acima de tudo, muita entreajuda, tudo é possível.
Esta capacidade de resposta e solidariedade é algo que vamos levar connosco para o futuro. Como todos sabemos, todo o acontecimento disruptivo tem, por norma, como corolário uma qualquer mudança. Estou certo de que esta não nos passará ao lado e que, em breve, nos reergueremos, em conjunto e ainda mais fortes, com as pessoas no centro da História.

Por: Mauro Borochovicius, diretor geral da Edenred Portugal
