A atual conjuntura e a resposta urgente à crise de saúde que se faz sentir em muitos países, incluindo Portugal, tornou o trabalho remoto, a partir de casa, como uma nova realidade para a maioria das pessoas.
Num curto espaço de tempo, as empresas transferiram as estruturas de trabalho do escritório para casa, de forma a manter os seus negócios e ajudar os colaboradores a seguir as recomendações de distanciamento social. No entanto, trabalhar remotamente era já uma realidade para muitos colaboradores. Este modelo de trabalho está em ascensão há algum tempo, impulsionado por fatores como a motivação, a cultura empresarial, ou o pacote de benefícios salariais onde a componente “work life balance” é valorizada.
A conjuntura atual veio acelerar esta tendência e tornar mais imediata uma transição, tornando-a para muitas empresas e pessoas como a única realidade possível de trabalho neste momento.
Ao longo da última década, houve já um aumento da flexibilidade, melhorando o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Hoje, as empresas e líderes encaram o trabalho remoto com muito mais flexibilidade do que há 10 anos. Uma mudança que se prende, entre outros fatores, com o novo mindset dos líderes, da sua visão holística e definição enquanto “purposeful leaders”, preocupados com o tempo que podem dedicar às suas famílias e o tempo dos seus colaboradores fora da organização.
O trabalho remoto é, pois, um exemplo de transformação dos ambientes empresariais que funciona a vários níveis. Responde às necessidades dos colaboradores, fornece às empresas novas formas resilientes e adaptáveis de se envolver com o seu ecossistema e agregar valor económico e vai ao encontro da comunidade, respondendo às necessidades de saúde pública.
Uma estratégia de trabalho remoto, bem definida, pode ser exponencialmente benéfica para chefes, colaboradores e recrutadores. O importante é manter uma cultura empresarial forte onde os líderes criam laços com a sua equipa e a empresa mantém todos os seus elementos de forma coesa e comprometida.
O valor económico do trabalho remoto, acompanhado de uma liderança transparente, ajuda a empresa não só a atrair, mas a reter o melhor talento. Uma pesquisa da Universidade de Stanford concluiu que o trabalho remoto pode contribuir fortemente para a retenção e motivação dos colaboradores. Em relação ao tempo de trabalho remoto, há estudos que indicam ainda que numa semana de trabalho de cinco dias, trabalhar remotamente por dois ou três, poderá ser mais produtivo. Isto permite que o colaborador tenha dois a três dias de reuniões, colaboração e interação com equipas e chefias, e a oportunidade de se focar apenas na execução do trabalho durante a outra metade da semana.
A criação de KPIs para managers e colaboradores, de forma a que todos os elementos da equipa que se encontram em trabalho remoto tenham conhecimento das expectativas dos seus chefes relativamente ao seu trabalho e para que o seu desempenho possa ser acompanhado, é outra recomendação para acelerar a produtividade. Assim, é aconselhável que os managers e executivos ponderem a criação de processos individuais e analisem os casos concretos de cada colaborador e equipa. Devem, por exemplo, refletir sobre temas como: que formação dar aos diferentes departamentos? Todas as equipas precisam de ter a mesma periodicidade nas reuniões? É vantajoso que um novo colaborador comece logo a trabalhar remotamente?
Em muitas empresas todos os colaboradores se encontram atualmente a trabalhar remotamente. A definição de metodologias como a marcação de reuniões diárias de administração e entre as várias equipas, recurso às diversas ferramentas digitais para manter o contacto, para falar de temas profissionais, mas também para se acompanharem e apoiarem mutuamente, são aspetos importantes. A produtividade é assegurada com uma política de trabalho remoto com marcos e indicadores para clarificar as expetativas, realização de reuniões por videoconferências onde é possível incentivar, aumentar o compromisso e obter feedback, e recurso a ferramentas tecnológicas para entrar em contacto regularmente com a equipa em datas acordadas. E, são experiências de colaboração virtual como estas que permitem ir consolidando o método de trabalhar remoto e a cultura empresarial.
O trabalho remoto exige aos líderes que sejam autênticos, abordem abertamente as incertezas e sejam abertos, partilhando as suas vulnerabilidades, para garantir que as suas organizações sejam geridas com confiança e orientadas a um propósito para um desenvolvimento sustentável contínuo. Por isso, líderes do futuro, encontrem um equilíbrio, dediquem algum tempo às suas equipas para assegurar que estas estão comprometidas.

Por Inês Pires, consultant interim Management da Michael Page
